Blindados

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Centro de Instrução de Blindados General Walter Pires

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O Centro de Instrução de Blindados General Walter Pires é uma das mais recentes organizações militares do Exército Brasileiro.

Foi criado em 11 de outubro de 1996, por meio da Portaria Ministerial Nr 656, vindo a ser ativado no dia 01 de janeiro de 1997 para ser um dos vetores de modernização (Núcleo de Modernidade) previstos no Sistema de Planejamento do Exército (SIPLEX 6) de maneira a servir de base, de mola propulsora e fator de profissionalização do Núcleo de Blindados.

Resumo Histórico

Suas raízes reportam à Companhia de Carros de Assalto (1921) do Cap José Pessoa Cavalcanti de Albuquerque, passando pelo Esquadrão de Autometralhadoras (1938) do Cap Carlos Flores de Paiva Chaves, vindo a embasar-se no Centro de Instrução de Motorização e de Mecanização (CIMM/1939), primeiro centro voltado à instrução de blindados, originado pelo Aviso Nr 400, de 25 de maio de 1938, com publicação no Boletim do Exército Nr 06, de 31 de maio de 1938.

O CIMM foi implantado com a finalidade de preparar oficiais e sargentos com conhecimentos técnicos e táticos, tornando-os aptos a ministrar a instrução de viaturas motorizadas e mecanizadas nas unidades especiais, nos corpos de tropa e nas formações de serviço.

Em 1942, o CIMM foi transformado em Escola de Motomecanização (EsMM) e, com a adesão do Brasil às forças que se antepunham ao Eixo, ampliou suas responsabilidades, direcionando seu ensino para a formação, a curto prazo, dos profissionais aptos à manutenção e ao emprego dos novos meios de combate recebidos dos Estados Unidos da América, dentre os quais os CC Sherman, Lee/Grant, Scout Car, Meia-Lagarta e o M-8.

Nova reformulação ocorreu em 1960, transformando a EsMM em Escola de Material Bélico (EsMB) que absorveu o curso de armamento da Escola de Instrução Especializada (EsIE). O ensino tático de motomecanização foi excluído do currículo, fazendo daquela Escola um estabelecimento de ensino eminentemente técnico em manutenção.

De 1960 a 1996 o ensino tático de blindados foi ministrado pelas escolas de formação e de aperfeiçoamento e pelas unidades de tropa, criando uma lacuna na existência de uma OM voltada exclusivamente para o estudo dos blindados.

Hoje, o Regulamento do Centro de Instrução de Blindados (R 60), que foi outorgado pela Portaria Ministerial 029, de 15 de Janeiro de 2002, regula as atividades do CIBld.

O Projeto Leopard

Em meados dos anos de 1990, o Exécito Brasileiro iniciou o processo de aquisição de carros de combate para substiruir os blindados M-41 C, os quais já se encontravam em estado de obsolescência, apesar da repotencialização recebida.

No processo optou-se por adquirir do Exército Belga os Leopard 1A1, veículos de fabricação original alemã que receberam sistema de tiro fabricado na bélgica. Após cerca de uma década de utilização dos Leopard 1A1 e dos M60, o Exército Brasileiro se viu diante da necessidade de atualizar sua frota de carros de combate. Em função da realidade econômica nacional, da demanda existente e das ofertas disponíveis no mercado externo, a Força Terrestre optou pela aquisição do Leopard 1A5, a ser comprado da Alemanha.

Do contrato celebrado entre o Exército Brasileiro e o Ministério da Defesa alemão constou a aquisição de 220 carros de combate, 04 viaturas blindadas de engenharia de combate (VBC Eng), 04 viaturas blindadas lança-ponte (VBE LçPnt), 07 viaturas blindadas de socorro (VBE Soc), 07 viaturas escola (VBE Esc) e meios de simulação (simuladores sintéticos, de procedimentos e de engajamento tático).

Com a aquisição das novas plataformas de combate, coube ao Centro de Instrução e Blindados o papel de preparar, organizar e aplicar os cursos de operação respectivos. No caso do Leopard 1A5 BR, a demanda pela capacitação foi grande pelas quantidades adquiridas e pelo número de organizações militares que receberam o carro (07 regimentos).

Em 2010, o CIBld sediou um curso de operação do Leopard 1A5 BR, ministrado pela empresa alemã LOG, para seis militares precursores que vieram a ser os primeiros instrutores. No mesmo ano o CIBld realizou a replicação do conhecimento para os seus demais instrutores, sempre com o objetivo de atender à iminente demanda do Exército pela capacitação de mais operadores. Também inserido no Projeto Leopard o centro promoveu nos últimos anos um amplo trabalho de preparação e pesquisa doutrinária. Para tal, seu quadro de instrutores intensificou o estudo dos manuais em uso no Brasil e no exterior. O CIBld procurou buscou ampliar o nível de conhecimentos técnico específicos acerca da capacitação e adestramento de guarnições blindadas por meio de visitas a Exércitos estrangeiros e participação em eventos internacionais de emprego de carros de combate.

Tais experiências guiaram as ações do CIBld, a partir do ano de 2010, com o estabelecimento de uma nova estrutura para o funcionamento dos cursos de operação das viaturas da família Leopard, construção do polígono de tiro em Rosário do Sul, aquisição de simuladores, construção de novos pavilhões, reestruturação das instalações e estudos para reformulação da capacitação de recursos humanos para emprego de blindados.

A Simulação

Simulador de Procedimentos de Torre.

O Centro de Instrução de Blindados possui uma Seção de Simuladores que tem os seguintes tipos de simuladores: Simuladores de Procedimentos, Simuladores para Aprendizagem e Treinadores Sintéticos.

Simulador de Procedimentos de Motorista.

Simuladores de Procedimento são equipamentos que reproduzem materiais de emprego militar reais (ou as partes mais importantes destes materiais) com o objetivo de treinar militares individualmente ou a tripulação (guarnição), para a utilização normal ou degradada do equipamento real. Os Simuladores de Procedimentos visam, principalmente, possibilitar a interação do homem com a máquina e com o restante da tripulação.

Simuladores para Aprendizagem são Programas de Simulação Virtual que introduzidos em computadores, possibilitam o desenvolvimento da área cognitiva dos instruendos, sem a necessidade de periféricos ("hardware") especiais. O objetivo principal deste equipamento como o próprio nome diz, é fazer com que os militares aprendam atitudes que devem ser realizadas no campo de batalha e as reações que deverão ser tomadas em contato com o inimigo. É importante ressaltar que estes simuladores possibilitam o aprendizado mas não o treinamento. Sendo assim, o militar poderá entender como o equipamento funciona e como deve ser o seu procedimento no campo de batalha, mas não conseguirá empregar o equipamento real, pois irá manusear controles de computador, diferentes da realidade.

Treinadores Sintéticos são Simuladores Virtuais que integram os periféricos de computadores ("hardware") similares às partes mais importantes do equipamento real, a um cenário virtual.

Cooperação de Instrução

São realizadas pelo Centro diversas atividades de cooperação de instrução com organizações militares da Força Terreste e da Marinha do Brasil. Dentre essas organizações militares pode-se citar a Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais(EsAO), a Escola de Aperfeiçoamento de Sargentos das Armas(EASA), a Academia Militar das Agulhas Negras(AMAN), Centros de Preparação de Oficiais da Reserva (CPOR), Núcleos de Preparação de Oficiais da Reserva (NPOR), Regimentos de Cavalaria Blindados (RCB) entre outras.

No mês de julho de 2011 foi realizado pelo Batalhão de Blindados do Corpo de Fuzileiros Navais um adestramento no Centro de Instrução de Blindados, com a finalidade de compartilhar experiências operativas com blindados. Os integrantes do Corpo de Fuzileiros Navais conheceram as novas instalações do CIBld e tecnologias de simulação empregadas no Exército Brasileiro e tomaram conhecimento de como foram incorporados os carros de combate Leopard 1 A5 nas organizações militares do Exército. Foi ainda, discutido sobre o apoio logístico prestado pelos fuzileiros à Secretaria de Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro, no Complexo do Alemão e foram apresentados os novos equipamentos de engenharia em uso.

Renault FT-17

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Centro de Instruções de Blindados (Santa Maria-RS, Brasil)

O Renault FT (muitas vezes incorretamente chamado de Renault FT 17) foi um dos primeiros tanques de guerra fabricados no mundo. Leve, rápido e fácil de ser produzido, operado, mantido e reposto, o Renault FT foi o mais bem sucedido tanque utilizado pelas unidades de cavalaria aliadas durante a I Guerra Mundial. Entre as quais, aquelas nas quais serviram os militares brasileiros na frente ocidental, durante a missão militar de 1918.

Projetado e fabricado ao final daquele conflito para "abrir caminho" em direção às trincheiras inimigas, dando cobertura aos avanços da infantaria, pesava apenas 6,5 toneladas, comportando dois tripulantes. Sua torre giratória tornou-se padrão nos principais tanques que vieram depois.
A exemplo de outros tanques da I Guerra, era fabricado em 2 versões: os modelos "canon", cuja torre giratória continha pequenos canhões, e eram utilizados para anular os ninhos de metralhadoras e casamatas] e os modelos "mitrailleuse" equipados com metralhadoras (de 7.92 milímetros), usados para auxiliar a infantaria a "terminar o serviço" lidando com as tropas inimigas restantes.

No Brasil

Foi o primeiro tanque do Exército Brasileiro, em uso na Companhia de Carros de Assalto, sob o comando de José Pessoa Cavalcanti de Albuquerque, em 1921, tendo sido amplamente utilizados até o início da II Guerra Mundial.Destes, encontra-se exemplar preservado em exposição permanente no Museu Militar Conde de Linhares, no Rio de Janeiro, na Academia Militar das Agulhas Negras - AMAN em Resende - RJ. Outro exemplar encontra-se em processo de restauro no quartel do 13º Regimento de Cavalaria Mecanizado na cidade de Pirassununga. Também há um exemplar preservado na cidade de Santa Maria (RS), no Centro de Instrução de Blindados. O Brasil adquiriu 12 unidades, quando já se considerava a necessidade de outro tipo de armamento para dar apoio a infantaria como as metralhadoras e os carros, pelo que das 12 unidades fornecidas seis eram na versão FT canon que estava equipada com um canhão Puteaux SA 18. Os outros 5 eram equipados com uma metralhadora de 7.7 mm e o último servia para comunicação, sem armamento e equipado com rádio.


VBTP-MR Guarani

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O Guarani é uma família de veículos militares brasileiros desenvolvidos pela empresa italiana Iveco, baseado no SuperAV de oito rodas. Foi pensado como sucessor do tradicional veículo brasileiro EE-11 Urutu, e foi denominado inicialmente como "Urutu-3". Haverá uma versão 8x8 de combate e reconhecimento, destinada a substituir o EE-9 Cascavel, com canhão 105mm.

Desenvolvimento

Os estudos de concepção do que viria a ser o Guarani remontam ao final da década de 1990, ainda com nome de NFBR (Nova Família de Blindados sobre Rodas), posteriormente sendo apelidado de Urutu III. Em diversos documentos emitidos pelo Exército, eram discutidas as versões que integrariam sua família, que seriam nas configurações 6x6 com ao menos uma 8x8, falando-se também em uma 4x4 leve. Previa-se, para as versões 6x6 e 8x8, a utilização de canhões 90 mm e 105 mm.

Em 1999 o Exército Brasileiro emitiu um pedido (ROB # 09/99) para uma nova família de veículos blindados de combate com capacidade anfíbia capaz de substituir os EE-9 Cascavel e EE-11 Urutu, desenvolvidos na década de 1970. A principal característica desta nova família é o design modular, permitindo a incorporação de diferentes torres, armas, sensores e sistemas de comunicações para o mesmo carro, incluindo uma versão de comunicações, uma versão ambulância e versões diferentes de apoio de fogo, armados com morteiros de grosso calibre e sistemas de armas.

O desenho conceitual do veículo foi apresentado na Inovatec 2007, em São Paulo. Em 12 de abril do mesmo ano, ocorreu uma reunião no Departamento de Ciência e Tecnologia (DCT), no Rio de Janeiro (cidade), para a solicitação formal às empresas Agrale, Avibras, EDAG, Fiat e IESA que elaborassem propostas financeiras. As empresas tiveram um prazo máximo de 80 dias para a entrega de informações e documentações necessárias à elaboração da proposta financeira, de onde sairia um vencedor com o objetivo de elaborar um protótipo de veículo blindado de transporte de tropas médio sobre rodas (VBTP-MR).

Em 21 de dezembro, foi assinado, no Departamento de Ciência e Tecnologia (DCT), em Brasília, um acordo entre o Exército Brasileiro e a divisão da Fiat/Iveco no Brasil para o início da construção de um protótipo. No dia 18 de dezembro de 2009, no Quartel-General do Exército, o General de Exército Fernando Sérgio Galvão, Chefe do Estado-Maior do Exército, e o Presidente da Iveco, Marco Mazzu, assinaram o contrato de produção do Projeto Viatura Blindada de Transporte de Pessoal - Médio sobre Rodas (VBTP-MR), que prevê a fabricação no Brasil de 2.044 unidades da VBTP-MR, em um período de 20 anos.

Em 2011 o protótipo do carro foi apresentado na LAAD (Latin American Aero & Defence), feira de Defesa, no Riocentro, Rio de Janeiro.

As primeiras unidades foram entregues em 24 de março de 2014 à 15ª Brigada de Infantaria Mecanizada, de Cascavel, no Estado do Paraná.

Em setembro de 2014 foi entregue o veículo de número 100, ano que finalizou com 128 VBTP-MR Guarani entregues.

Produção

A produção do Guarani é realizada na fábrica da Iveco em Sete Lagoas (MG), construída com investimento de R$ 55 milhões, gerando 200 empregos diretos e 1400 indiretos. Irá produzir 115 unidades por ano e tem capacidade para produzir até 200 veículos por ano. Possui cerca de 90% de componentes nacionais.

O aço da blindagem é fabricado no Brasil pela Usiminas, que investiu US$ 295 milhões desde 2007 no centro de pesquisa e desenvolvimento mantido em Ipatinga para o desenvolvimento de aço balístico.

Descrição

O Guarani tem um chassi formado por duas longarinas na base do veículo, o qual abriga toda a suspensão, os elementos de transmissão com sua respectiva caixa e dois diferenciais, um dianteiro e outro traseiro. Sobre este conjunto foi montado a estrutura blindada do veículo, em forma de V capaz de resistir a minas de até 6 kg.

Com a finalidade de atender às exigências do Exército Brasileiro, e também em função dos custos, optou-se por incorporar ao projeto o maior número possível de componentes que já existissem no mercado automotivo de caminhões, como forma de baratear os custos ao mesmo tempo em que se tem um veículo moderno. Devido a isto, foram usados os elementos mecânicos da série TRAKKER, que é a linha de produção no Brasil para caminhões civis comercializados pela Iveco caminhões, sendo este o princípio do chassi pouco comum do Guarani.

Em sua configuração padrão, a versão 6x6 possui um motor FPT Industrial Cursor 9F2C de 383 cv, transmissão automática ZF Friedrichshafen 6HP602S, propulsão aquática Bosch Rexroth A2FM80, sistemas pneumáticos centrais Téléflow, sistema de proteção QBN (química, biológica e nuclear) Aero Sekur, sensor de fogo automático e supressão Martec, painel digital do motorista, sistema elétrico CANBUS tipo 24V, assentos com absorção de choque, câmeras de motorista da Orlaco Products, sistema de ar condicionado da Euroar, sistema de runflat Hutchinson, eixos motrizes Dana, e caixa de transferência e suspensão da Iveco. O sistema de comando e controle é composto por dois rádios Harris Falcon III com GPS integrado, um intercomunicador Thales SOTAS, um computador Geocontrol CTM1-EB e software GCB (Gerenciador do Campo de Batalha), desenvolvido pelo Centro de Desenvolvimento de Sistemas do Exército.

Armamento

  • Torre UT-30BR criada pela AEL Sistemas para canhão automático de 30mm ou
  • REMAX (Reparo de Metralhadora automatizada X) para metralhadora de 12,7 mm (.50) e 7.62x51mm NATO ou
Vista traseira do blindado.
  • possivelmente um morteiro de 120 mm raiado, na versão porta-morteiros.
  • possivelmente um canhão de 105 mm, na versão de reconhecimento.
  • possivelmente um canhão de 120 mm, na versão caça-tanques.

Na versão de Reconhecimento, deve-se usar um canhão 105 mm e tecnologias tais como: instrumentos de observação e busca de alvos tipo eletro-ótico e infravermelho (EO/IR), com transporte automatizado de alvos do comandante para o atirador (Hunter-killer), estabilização de armas e de instrumentos EO/IR e capacidade de engajar alvos tanto pelo atirador quanto pelo comandante. O interesse de usar um canhão 105 mm na versão 8x8 que deve substituir o EE-9 Cascavel (o qual usa o canhão 90 mm) veio após os testes do Exército sobre o italiano Centauro B1, em 2001, despertando, em alguns setores do Exército, o desejo de aprimorar o poder de fogo nos projetos futuros.

Na versão de combate de fuzileiros, deve-se usar sistemas de armas remotamente controlados, como canhões 30 mm (torre UT-30BR) e tecnologias tais como as da versão de Reconhecimento. Na versão de transporte de tropas, deve-se usar metralhadoras montadas sobre reparos não automatizados ou sistemas de metralhadoras remotamente controlados calibre .50 ou 7,62 mm (REMAX), além de tecnologias como instrumentos de observação e busca de alvos tipo EO/IR e estabilização de armas e de instrumentos EO/IR e estabilização de armas e de instrumentos EO/IR.

Variantes

São previstas até dezessete versões do Guarani, que são:

  1. Viatura Blindada de Transporte de Pessoal (VBTP)
  2. Viatura Blindada de Combate de Fuzileiro (VBC Fuz)
  3. Viatura Blindada de Reconhecimento (VBR)
  4. Viatura Blindada de Combate Morteiro Médio (VBC Mrt Me)
  5. Viatura Blindada de Combate Morteiro Pesado (VBC Mrt P)
  6. Viatura Blindada Especial de Central de Direção de Tiro (VBECDT)
  7. Viatura Blindada Especial Posto de Comando (VBEPC)
  8. Viatura Blindada Especial de Comunicações (VBE Com)
  9. Viatura Blindada Especial Socorro (VBE Soc)
  10. Viatura Blindada Especial Oficina (VBE Ofn)
  11. Viatura Blindada de Transporte Especializado Ambulância (VBTE Amb)
  12. Viatura Blindada de Reconhecimento Leve (VBR L)
  13. Viatura Blindada de Combate Anticarro - Leve de Rodas (VBC AC LR)
  14. Viatura Blindada Especial Observador Avançado - Leve de Rodas (VBE OA LR)
  15. Viatura Blindada de Combate Morteiro - Leve de Rodas (VBC Mrt LR)
  16. Viatura Blindada Especial Radar - Leve de Rodas (VBE Rdr LR)
  17. Viatura Blindada Especial Posto de Comando - Leve de Rodas (VBEPC LR)

Operadores

  • Exército Brasileiro: 300 unidades entregues até março de 2018. Previstas mais 1.580 unidades até 2031.
  • Exército Libanês: 10 unidades.

Potenciais operadores

  • Exército Argentino: 14 unidades

Características

  • Anfíbio
  • Capacidade para transporte da guarnição e de um GC
  • Proteção blindada de 30 mm para tiro de fuzil 7,62 mm M1 (ECD receber blindagem adicional)
  • Peso máximo de até 25 Ton em condições de combate (podendo ser transportado pelo KC-390 ou C-130)
  • Trem de rolamento 6x6, com possibilidade de ser 8x8 (duplo esterçamento)
  • Autonomia de 600 km

Similares

  • Patria AMV 8x8
  • Mowag Piranha
  • Pandur II
  • Véhicule de l'Avant Blindé (VAB)
  • Pindad ANOA 6X6 APS


Leopard

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O Leopard 1 é um carro de combate projetado e produzido na Alemanha. Entrou em serviço em 1965.

O Leopard possui um projeto tradicional e é conhecido por sua velocidade fora de estrada. Está armado com o canhão 105 mm L7 da Royal Ordnance, o mesmo empregado no Tamoyo III e do M60.

Cerca de 6.485 veículos foram construídos, com 4.744 sendo carros de combate e 1.741 outros para diversas funções, como o Gepard, antiaéreo.

Desde 1990, o Leopard 1 vem gradualmente sendo relegado a funções secundárias na maioria dos exércitos, com exceção dos exército Canadense e exército australiano, que pretendem substituí-lo.

Desenvolvimento

Leopard 1

O projeto do Leopard começou em novembro de 1956 para substituir os carros de combate M47 e M48 em uso no Exército da Alemanha Ocidental. O veículo deveria ser leve, resistir a tiros rápidos de 20mm de qualquer lado e ter proteção NBc. A mobilidade teve prioridade em relação ao poder de fogo e a blindagem, considerando-se as modernas armas antitanque. As primeiras entregas ocorreram em 1965 e diversos países europeus adquiriram o veículo. Por restrições impostas pela política de venda de armas da Alemanha, exportações para Grécia, Espanha e Chile foram vetadas, pois nesta época, tais países estavam sob regimes totalitários. Estes países acabaram por adquirir o AMX 30.

Leopard 1A1

Depois da entrega do primeiro lote, os três seguintes já foram do modelo Leopard 1A1. Esta versão inclui um novo sistema de estabilização do canhão, que efetivamente permite o tiro em movimento. O Leopard 1A1 também possui uma proteção ao longo das laterais para proteger a parte superior das lagartas.

Entre 1974 e 1977, todos os veículos foram atualizados para a versão 1A1A1 com blindagem adicional na torre. Em 1980, foram atualizados com o intensificador de imagens noturnas PZB 200, surgindo a versão 1A1A2. Uma alteração no sistema de rádio originou a 1A1A3.

Leopard 1A2

A versão seguinte do Leopard foi a 1A2 que fabricada entre 1972 e 1974. Esta versão possuía uma torre mais pesada e melhor blindada. Recebeu como atualização o intensificador de imagens noturnas PZB 200, versão 1A2A1, e rádios digitais, versão 1A2A2. O Leopard 1A2A3 tem ambas atualizações.

Leopard 1A3

A versão 1A3 teve a suspensão reforçada e uma proteção melhor para a sua nova torre com melhor blindagem. Recebeu as mesmas atualizações da versão 1A2: intensificador de imagens, 1A3A1; rádios digitais, versão 1A2A2; e ambas, 1A2A3.

Leopard 1A4

O versão 1A4 foi a última a ser produzida. É similar à versão A3, porém com um sistema integrado de controle de tiro.

Leopard 1A5

A partir de 1983, foram incorporados sistemas derivados daqueles desenvolvidos para o Leopard II, como o sistema de controle de tiro EMES-18 com telêmetro laser e visão termal para o combate noturno e o sistema ótico da Zeiss. Estas atualizações foram feitas em veículos das versões 1A3 e 1A4.

Emprego no Brasil

Leopard AS1 Australiano.
Bergepanzer, Viatura socorro.
Gepard, Veículo antiaéreo.

Na década de 1960, o Exército Brasileiro adquiriu centenas de unidades do carro de combate M41 Walker Bulldog que se tornaram o principal carro de combate brasileiro. Estes são tanques leves de 23,5 toneladas, pois o sistema rodoviário e ferroviário brasileiro não comporta o translado de veículos maiores.

Como o desenvolvimento de veículos nacionais, o Tamoyo e o EE-T1 Osório, foi paralisado, e o M41 se aproximava do fim de sua vida útil, o Brasil procurou no mercado internacional veículos que pudessem substituí-lo. Entre as opções disponíveis, o Leopard 1 pesa 42,4 toneladas, o M60, por exemplo, aproximadamente 56.

O Exército Brasileiro selecionou o Leopard e adquiriu 128 unidades usadas do Leopard 1A1 da Bélgica com treinamento, ferramental e peças. Interferências políticas levaram a aquisição de 91 carros de combate M60 dos EUA. Os 128 Leopards foram recebidos entre 1997 e 2000. Os M60 e os Leopards foram os primeiros MBTs (Main Battle Tank) do Exército, e causaram uma revolução no treinamento das equipagens e na estrutura de transporte, manutenção e suprimento

Além destes veículos, foram adquiridos 1 Leopard Escola, 2 Leopards viatura de socorro e dois Leopard Sabiex Hart.

Um segundo lote foi adquirido em 2006. Estes veículos serão primeiramente manutenidos e entregues prontos para o combate até 2010. O Leopard 1A5 irá exercer a função atual da versão 1A1, como principais carros de combate brasileiros, enquanto os 1A1 e M60 substituirão os M41 remanescentes. Este lote sera composto por 250 Viaturas Blindadas de Combate Carro de Combate (VBC CC), sete Viaturas Blindadas Especializadas (VBE) Socorro, quatro VBE Lançadora de Ponte, quatro VBC Engenharia e quatro VBE Escola para Motorista.

Modernização

Algum tempo depois de o exercito ter adquirido os Leopard 1A5 especialistas militares indicaram que os leopards poderiam ser modernizados no Brasil trazendo melhorias como uma cópia do EE-T1 Osório, como o seu motor de 1040 hp, a sua torre armada com um canhão de 120mm Da Giat, além de melhorias na blindagem.

Operadores

Países que operaram ou operam o Leopard I:

  • Alemanha (2437)
  • Austrália (90 Leopard 1A3)
  • Bélgica (334)
  • Brasil (128 Leopard 1A1 e 239 Leopard 1A5
  • Canadá (114 C2 - 1A5 atualizado)
  • Chile (202 Leopard 1V, sendo substituídos pelo Leopard 2)
  • Dinamarca (230 Leopard 1A5s, 120 desses 1A5DK)
  • Grécia (335)
  • Itália (920)
  • Noruega (172)
  • Países Baixos (468)
  • Turquia (450)

A Bélgica deve fornecer 45 unidades para o Líbano.


Gepard

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O Flakpanzer Gepard é uma viatura blindada de combate anti-aéreo (VBC AAe) de alta tecnologia. Foi desenvolvido pela empresa Krauss-Maffei Wegmann para o Exército da Alemanha. Pode atingir até 65 km/h, e pesa 47,5 toneladas. Já foram produzidas aproximadamente 570 unidades.

O Gepard detém alta tecnologia para defesa anti-aérea.

Em Abril 2013 o Ministério da Defesa do Brasil comprou 34 viaturas Gepard 1A2 do Exército alemão para garantir a segurança nos grandes eventos que o país receberá até 2016. Os Gepard 1A2, de 47,5 toneladas, foram modernizados em 2010 com novos sistemas de radar e eletrônica que permitirão sua operação até 2030. Os blindados foram empregados na segurança da Jornada Mundial da Juventude (JMJ) em Julho 2013 no Rio de Janeiro, com a presença do Papa Francisco. O Brasil sediou a Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro em 2016.

Operadores

  • Exército da Alemanha
  • Exército da Bélgica
  • Exército Brasileiro
  • Exército Real
  • Exército Real da Jordânia
  • Exército da Romênia


M113

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O M113 é uma família de veículos blindados de transporte de pessoal de origem norte-americana, em serviço em muitos países.

É um veículo sobre lagartas, com capacidade anfíbia limitada a pequenos cursos de água, grande capacidade de deslocamento em todo terreno e alta velocidade em estradas de terra batida ou asfaltada. A família M113 engloba uma ampla gama de versões e modificações tanto para combate como para apoio ao combate.

Foram produzidas cerca de 80.000 unidades de todos os tipos, tornando-o num dos veículos blindados mais utilizado de todos os tempos.

Construído todo em alumínio, possui uma blindagem com capacidade limitada de proteção. Durante a Guerra do Vietnã recebeu o apelido de "Táxi de Combate". Porém, suas primeiras versões eram também conhecidas pela fragilidade caso atingisse uma mina terrestre. Por essa razão, muitos soldados preferiam viajar sobre a cobertura do blindado ao invés de ocupar o seu compartimento interior.

Atualmente, no Iraque, o M113 ainda é amplamente utilizado pelo exército norte-americano, principalmente por pelotões de engenheiros e por grupos de patrulha. As versões mais comuns encontradas no Iraque são o M113A2 e M113A3. Nos anos seguintes à invasão do Iraque o M113 recebeu uma blindagem extra. Chamada de "slat armor", é composta por barras metálicas que servem para detonar explosivos propelidos por foguete (RPG) disparados contra o blindado.

História

O M113 foi introduzido inicialmente em 1960, desenvolvido a partir do M59 e do M75, projetados pela Ford e pela Kaiser na década de 1950. O M113 foi inicialmente desenvolvido pela FMC de San José na Califórnia, obedecendo à pré-condição de ser uma "Família de Veículos Blindados Multiusos Aerotransportáveis" estabelecida pelo Exército dos Estados Unidos.

Combate

Blindados M113 modelo ACAV utilizados na Guerra do Vietnã.

Os modelos M113 formaram a maior parte dos esquadrões de blindados dos Estados Unidos durante a Guerra do Vietnã, utilizado principalmente para escolta de soldados.

No Brasil

O Exército Brasileiro recebeu 584 unidades do M113A1. No início dos anos 1980, buscou-se nacionalizar o maior número possível de componentes destes veículos, criando a versão M113BR. Atualizado pela empresa Motopeças, o M113 recebeu, entre outras modificações, um novo motor Mercedez Benz e uma nova transmissão.

O M113 nas versões M113 ACAV e M577 Command Post são também utilizados pelo Corpo de Fuzileiros Navais da Marinha (CFN). Esses blindados dividem com o EE-9 Cascavel, EE-11 Urutu e o LVTP-7/AAVP-7 entre outros a linha de blindados dos Fuzileiros Navais brasileiros.

No dia 25 de novembro de 2010, blindados M113 foram utilizados pela Marinha em operações na zona norte do Rio de Janeiro, no auxilío à Polícia Militar, com o objetivo de coibir atos de violência organizada registrados em diferentes pontos do Estado. Os blindados foram tripulados por fuzileiros navais e transportaram policiais da tropa de elite da polícia do Rio, o BOPE, até o local do confronto com os bandidos.

No ano de 2012, no Parque Regional de Manutenção/5 (Pq R Mnt/5), em Curitiba, começaram os trabalhos referentes ao projeto de modernização dos blindados M-113 do Exército Brasileiro, recebendo a nova denominação de M-113 A2Mk1-BR.

O projeto é resultado de parceria firmada entre o Governo Brasileiro, o Governo Americano e a empresa BAE Systems, e entre o final de setembro e começo de outubro de 2015 foi concluída a modernização do primeiro lote de 150 unidades. Os trabalhos começaram com o protótipo feito, em 2012, com mão de obra americana. Em 2013 foi estabelecida a linha de montagem que, naquele ano, completou 42 unidades. Em 2014 foram modernizadas mais 60, e em 2015 mais 48, fechando o lote previsto no primeiro contrato. O contrato para a modernização do segundo lote – 236 carros – já foi firmado, com previsão de iniciar os trabalhos em 2016 e concluir em 2018.

Versões

A flexibilidade do M113 permitiu que, a partir dele, fossem desenvolvidas inúmeras variantes, algumas pelo próprio fabricante, outras pelos seus utilizadores. As principais são:

M113B

Projeto de modernização do M113B do Exército Brasileiro para o padrão M113A2Mk1 da BAE SYSTEMS, com a substituição de toda parte de motorização, transmissão e esteiras (lagartas) por equipamentos superiores e mais modernos. Seu motor antigo Diesel da Mercedes-Benz OM352A (180HP) foi substituído pelo motor Turbo Diesel 6V53T de 265hp da Detroit Diesel Corporation (DDC) e a transmissão original Allinson foi substituída por uma unidade de transmissão cross drive Allison TX100-1A, permitindo maior mobilidade às tropas blindadas.

M113 ACAV

Versão de Cavalaria Blindada, introduzida na Guerra do Vietnã principalmente para escolta a colunas. Caracterizava-se por possuir uma blindagem circular em forma de torre ao redor da metralhadora de 12.7mm (.50) e dois escudos menores com metralhadoras M-60 de calibre 7.62mm. alguns ACAV possuíam também uma blindagem adicional aplicada à prancha móvel posicionada na frente do veículo.

M113A1

Versão com motor Detroit a diesel, em substituição do original a gasolina, lançada em 1964. 6 cilindros em "V". Com 4 modelos de viaturas: - TP (Transporte de tropa) com capacidade para 11 militares armados e equipados mais 02 da guarnição; - Morteiro; - Socorro; e - Comando. Carro anfíbio. Atinge a velocidade de 64,3 km/h em terra e 4,7 km/h na água.

M113A2

Lançada em 1979, com arrefecimento e suspensão aperfeiçoados.

M113A3

Versão com a capacidade aperfeiçoada de sobrevivência no campo de batalha, lançada em 1987.

M58 Wolf

Porta geradores de fumígeno para criação de cortinas de proteção visual e infra-vermelha.

M106

Porta-morteiros de 107 mm.

M113 AMEV

Ambulância com proteção blindada.

M113 Lynx

Veículo Blindado de Reconhecimento, em serviço no Canadá e nos Países Baixos.

M125

Porta-morteiros de 81 mm

M132

Veículo lança-chamas, dotado de uma torre com lança-chamas e metralhadora coaxial, mais tanques de combustível na traseira.

M163 Vulcan

Um M163 Vulcan do Exército dos Estados Unidos,3rd Cavalry Regiment.

Veículo de Defesa Antiaérea, equipado com uma peça antiaérea M61 Vulcan composta de 6 canos rotatórios de 20mm (gatling).

M474

Veículo lançador de mísseis Pershing.

M548

Transporte de carga com lagartas, não blindado.

M577

Veículo posto de comando tático.

M730

Veículo de lançamento de mísseis antiaéreos M48_Chaparral.

M901

Veículo de lançamento de mísseis anticarro TOW.


M60

M60-pronto.png

O M60 Patton é o primeiro carro de combate principal construído no Estados Unidos. O desenvolvimento do M60 começou em 1957. Ele foi projetado para combater a ameaça representada pelo T-54 e T-55 soviéticos, que eram superiores em todos os aspectos para os carros de combate de médio porte M48 Patton. Os Primeiros veículos foram construídos em 1959 e contrato foi adjudicado à Chrysler para um lote de 180 blindados. A produção começou em 1960 e terminou em 1987. Em termos de design o M60 é um desenvolvimento do tanques M26, M46, M47 e M48. Uma série de componentes foram herdadas do tanque médio M48A2. No entanto, o M60 melhorou significativamente a proteção blindada, armamento e motor mais potentes .

O M60 Patton foi largamente exportado. Os operadores incluem Israel (1400 MBT de vários modelos), Egito (700 M60A1 e 735 M60A3), Irã (aproximadamente 200 M60A1), Itália (300 M60A1), Arábia Saudita (com cerca de 250 M60A3), e um número de outros países. Alguns operadores do M60 Patton vem aplicando localmente uma série de melhorias para aumentar sua proteção.

Desenvolvimento

XM60 e M60

O M60 provem do M48 Patton, porem, tem características do M26 Pershing, blindado na qual o M48 foi inspirado. Os planos americanos eram um M48 equipado com um canhão de 105mm, com o casco redesenhado e com melhorias na blindagem (93mm em vez de 114mm, porém, com um ângulo mais íngreme, aumentando a eficiência da blindagem). O que veio foi o M60, que lembra muito o M48, porem, há muitas diferenças. Uma delas é o canhão M68 (cópia licenciada do canhão britânico L7), de 105mm, a instalação de mais uma roda de suporte nas lagartas e algumas modificações na parte frontal do casco.

Um M60 original, em um museu nos EUA.

O blindado era equipado com um motor Continental AVDS-1790-2C, V12, refrigerado a ar, bi turbo, a diesel, com 750cv, estendendo o alcance operacional do blindado para 480 km. A transmissão é uma Alisson CD-850-6A, com duas velocidades para frente e uma para trás. O casco do M60 é uma peça única de aço, dividida em três compartimentos. O primeiro, na frente, do motorista, o segundo, da tripulação,no meio, e o terceiro, das maquinas, no fundo. O motorista olha por um periscópio M27, sem visão noturna, podendo ser adaptado estes periscópios depois. Inicialmente, a torre do M60, seria a mesma do M48, porem, a torre foi modificada depois, tendo a parte da frente minimizada e a parte interna melhorada. Desta variante, foram fabricadas pouco mais de 15.000 veículos.

M60A1

Um M60A1, em serviço na Grecia

Em 1963, todos os M60 foram modificados para o padrão M60A1, esta variante tem a torre maior e melhorada e várias melhoras na blindagem. o M60A1 foi equipado com um sistema de estabilização da torre, porem, o M60A1 não poderia disparar em movimento, o sistema somente era utilizado para manter o canhão em uma mesma direção quando estivesse em cross-country.

M60A2 Starship

O M60A2 foi uma solução tampão para o cancelamento do projeto MBT-70, feito em conjunto com a Alemanha. O nome Starship vem por causa das muitas tecnologias do blindado, que provinham da Era Espacial. A torre de baixo perfil e a nova cupola do metralhadora do comandante, davam uma boa visão da linha de tiro.

M60A2 Starship

O canhão/lançador de misseis M152, de 152mm era similar a o utilizado no M551 Sheridan, podendo disparar tanto munição convencional, quanto o ATGM MGM-51 Shillelagh. Foi instalado também no canhão, um sistema chamado CBSS (Closed Breach Scavenger System), que usa ar pressurizado para limpar o cano do canhão após cada tiro, resolvendo um problema que deixou muitos blindados fora de serviço, que é os restos de propelente dentro no cano, que poderia detonar as munições subsequentes e danificar o canhão. O M60A2 se mostrou um fracasso, mesmo com toda a tecnologia embarcada, o blindado mostrou ter vários problemas. Até 1982, todas as unidades do M60A2 foram passadas para o padrão M60A3 ou foram convertidas em lançadores de pontes.

M60A3

Um M60A3 da US Army no exercício REFORGER´85

Em 1978, foi criada a variante M60A3. Foram feitas várias modificações, principalmente tecnológicas, houve a instalação de lançadores de granadas fumígenas, um telémetro a laser AN/VVS-2 (usado pelo comandante e pelo artilheiro), um computador de tiro M21 e um sistema de estabilização da torre. A metralhadora M85 .50, controlada remotamente, se mostrou inefetiva para uso antiaéreo, então, foi utilizado uma montagem normal, com uma metralhadora Browning M2 .50, que se mostrou melhor. A cupola do comandante foi retirada nos últimos modelos do M60A3, com isso, o perfil do blindado ficou mais baixo, porem, a saída do tanque com tiros de armas leves ficou, relativamente, mais difícil.

O M60A3 ficou em serviço nos E.U.A. até 1997, quando foi retirado de serviço em favor a o M1 Abrams. Mesmo considerado já obsoleto, é usado por vários países até hoje. O M60A3 tem algumas leves vantagens em cima do M1 Abrams.

  • O M60A3 TTS tem um sistema de visão termica melhor até que o do M1 Abrams, porem, o sistema do M60A3 TTS emite sinais audíveis a vários metros do veículo.
  • O M60A3 tem um telefone de contato entre a infantaria externa e a tripulação do blindado, facilitando na coordenação da ação. Isso só foi instalado no M1A1 Abrams em serviço no Iraque.
  • O motor a diesel tem a performance inferior a turbina a gás do M1 Abrams, porem a manutenção é mais fácil e barata e o consumo de combustível é menor.
  • A temperatura do exaustor da turbina do M1 Abrams é muito alta, dificultando a infantaria se proteger atras do blindado. Este não é o caso no motor a diesel do M60.
  • O canhão M68A1, de 105mm do M60 tem uma variedade muito maior de munições do que o canhão de 120mm do M1 Abrams.
  • O M60 tem instrumentação para efetuar fogo indireto de artilharia com seu canhão de 105mm.

Problemas

O M60 tinha vários problemas, um deles era a dificuldade do motorista sair por cima, pela escotilha, uma vez que esta era posicionada exatamente embaixo do canhão. Outra era o acesso do compartimento do motorista pela tripulação e vice-versa, a torre teria que ser girada totalmente para trás para que haja espaço para que o motorista acessasse o compartimento da tripulação. Um dos mais graves problemas detectados em combate no M-60, bom como no M48, foi o sistema hidráulico de rotação da torre e elevação do canhão, o qual no caso de a torre ser danificada, e os sistema hidráulico atingido, produzia um spray de líquido inflamável a alta temperatura que queimava a tripulação. Em Israel, modificações efetuadas no sistema, com a introdução de um equipamento elétrico, resolveram o problema.

Variantes

  • XM60/M60: A primeira versão do blindado, havia poucas diferenças entre ele e o M48 Patton, entre elas estavam o casco modificado, a adoção de três rodas de retorno nas lagartas, entre outras modificações. A torre equipada com um canhão M68, de 105mm.
M60A1E1
  • M60A1: A primeira variante a usar a torre needle-nose, além das melhorias na blindagem e melhoria do sistema hidráulico.
  • M60A1 AOS: Sistema de estabilização do canhão melhorados, introduzido em 1972 no canhão M68.
  • M60A1 RISE: Relibility Improvements of Selected Equipament", modificação de vários equipamentos do M60A1, entre eles o acesso a o motor foi melhorado e as lagartas foram trocadas por um modelo mais moderno.
  • M60A1 RISE Passive: Blindados passados pelo RISE, porem lhes foi instalado sistemas de busca infravermelho e um visor passivo noturno. Os M60A1 RISE Passive da USMC, foram equipados com blocos de ERA (Blindagem Reativa).
  • M60A1E1: Veículo de teste para o canhão/Lançador de misseis M152, de 152mm.
  • M60A1E2/M60A2 Starship: Design da torre finalizado. Esta variante também testou um canhão de 20mm controlado remotamente.
  • M60A1E3: Prototipo. M60A1E2 com um canhão M68, de 105mm
  • M60A1E4: Prototipo, teste de armamento controlado remotamente.
  • M60A3: M60A1 equipado com um telémetro a laser AN/VVG-2, computador de tiro M21 e sensores de vento. As últimas unidades do M60A3 não tem a cupola do comandante.
M60A3 TTS
  • M60A3 TTS: Tank Thermal Sight. M60A3 equipado com uma mira térmica AN/VSG-2.
  • M60 Super/AX: Versão aprimorada, com armamento mais avançado e motorização nova.
  • M60-2000/120S: Versão aprimorada, com avanços utilizados no M1 Abrams, armamento, eletrônica e motorização nova.
  • M60T Sabra: Modernização Israel ense do M60A1. Troca da torre e do armamento original por um modelo mais avançado, repotenciamento e modernização eletrônica.
  • E-60: Versão israelense não modifcada do M60
  • E-60A: Versão israelense não modificada do M60A1
  • E-60A Dozer: Versão israelense do M60A1 com kit buldozer M9 instalada
  • E-60B: Versão israelense não modificada do M60A3
  • Magach: Modificação israelense do M60, instalação de blindagem reativa e passiva e sistemas eletrónicos.
  • M60 Phoenix: Modificação jordaniana. Instalação de uma nova torre, com canhão RUAG de 120mm, sistema eletrônico e blindagem modificados e capacidade de disparo em movimento.
  • Samsam: Modificação iraniana do M60A1. Colocação de blindagem reativa, sistema de controle de tiro EFCS-3 e jammers infravermelhos.
  • M60 ARGE: Modificação Austríaca. Repotenciamento e instalação de um novo telémetro a laser.
  • M60 AVLB: Versão lançadora de pontes do M60, equipada com uma ponte de 60m.
  • M60A1 AVLB: Versão lançadora de pontes do M60A1, mesma ponte do M60 AVLB
  • M60 AVLM: M60 AVLB equipada com 2 MCLC (Mine-Clearing Line Change), para a limpeza de minas.
  • M60 Panther: M60 modificado para limpeza de minas, controlado remotamente.
  • M728 CEV: Blindado de Engenharia baseado no M60. Equipado com um guindaste, uma pá D7, em V e um canhão de demolição M135, de 165mm.
  • M728A1 CEV: Versão do M728 CEV em cima do M60A1.
  • M60VLPD-26/70E: Lançador de pontes espanhol. 12 M60A1 equipados com sistema de pontes Leguan.
  • M60CZ-10/25E Alacran: Veículo de engenharia espanhol. 38 M60A1 convertidos.

Serviço no Exército Brasileiro

  • Designação Local: M60A3 TTS
  • Quantidade Máxima: 91 - Quantidade em serviço: 32 (2016)
  • Situação operacional: Em serviço

Este carro de combate está no exército brasileiro, juntamente com o Leopard 1 alemã e são os primeiros e verdadeiros "tanques pesados" do exército brasileiro.

A opção por estes modelos, aparece depois do fracasso do projeto EE-T1 Osório, que podería eventualmente ter permitido a reorganização da arma blindada brasileira, com recurso e meios próprios. O fim daquele negócio, que implicaria a construção de uma unidade do EE-T1 para o exército brasileiro por cada dez vendidas á Arábia Saudita, acabou com a própria Engesa, o fabricante do veículo, e em tempos a maior indústria militar da América latina. Foram cedidos pelo exercito norte-americano por 10% do valor cerca de 11 milhões de dólares um preço medío de 100 mil dólares unidade mais vem ao serviço brasileiro com certas restrições como por exemplo a vinda ao Brasil bimestral de oficiais militares norte-americanos para inspeções dos sistemas do tanque. Neste momento, estes veículos aproximam-se dos 12 anos de vida no exército, mas a não existência de ameaças convencionais credíveis nas fronteiras, a estes carros, torna a sua substituição ou modernização, menos urgente. Os recentes desenvolvimentos na América do Sul, parecem ter levado o governo do Brasil a apressar a aquisição de carros de combate mais poderosos, no caso os alemães Leopard-1A5, que têm uma blindagem marginalmente superior aos M-60A3. Entretanto, os carros de combate Leopard 2 A4 comprados pelo Chile, transformaram-se nos mais poderosos carros de combate da região., Os M60-A3 são os carros de combate pertencentes ao Regimento de Cavalaria Blindada de Campo Grande - MS que possui 2 esquadrões mobiliados com este CC e um terceiro esquadrão com blindados de transporte M-113. No total há 32 unidades ativas do M-60 neste regimento, e outros ainda são usados para instrução. A maior parte das 91 unidades encontra-se armazenada no 5º Parque Regional de Manutenção. Atualmente há estudos para reativar todos estes blindados e modernizá-los, distribuindo-os entre os RCB no lugar dos poucos Leopard 1A1 ainda ativos.

Serviço no Exercito Português

  • Designação Local: M60A3 TTS
  • Quantidade Máxima: 96 - Quantidade em serviço: 50
  • Situação Operacional: Em serviço

Os carros de combate M60 foram entregues a Portugal após a Primeira Guerra do Golfo, período que coincidiu com a entrada em operação dos carros de combate M1 Abrams no exército dos Estados Unidos.

Os M60 entregues para o Exército Português eram blindados M60A1 modificados para o padrão M60A3 TTS. Estes blindados foram destacados para os GCC (Grupo de Carros de Combate) da Brigada Mecanizada de Santa Margarida. O GCC da 1ªBMI tinham atribuídos, organicamente, 57 blindados, estando três no comando do GCC, existindo três esquadrões equipados com 17 blindados cada (2 no comando do esquadrão e os outros 15 em 3 pelotões com 5 blindados cada). O Erec (Esquadrão de Reconhecimento) dispunha de seis blindados, dois em cada pelotão de reconhecimento.

A Escola Pratica de Cavalaria (EPC) conta com sete veículos, sendo cinco no pelotão de carros de combate e dois no pelotão de reconhecimento. Em 2007, havia 70 unidades do blindado em operação no Exército. Os 31 blindados restantes, estão estocados no Regimento de Cavalaria Nº4, podendo operar em mobilizações ou como reserva de material.

Em Outubro de 2008, o exército começou a receber carros de combate Leopard 2|Leopard 2A6 provenientes do Exército Holandês. Não se sabendo exatamente qual será o futuro destes blindados no exército. O mais provável, é que dois esquadrões fiquem durante alguns anos na reserva, como aconteceu com os M48 Patton.

Operadores

Um M-60A1, de fabricação americana.
  • Austrália: 118 M60A1 e M60A3, retirados de serviço e vendidos para o Egito.
  • Bósnia e Herzegovina: 45 M60A3
  • Bahrein: 180 M60A3
  • Brasil: 91 M60A3 TTS
  • Egito: 1.016 M60A3 e 700 M60A1
  • Espanha: 17 M60A3 TTS (Infantería de la Marina), 38 M60CZ-10/25E Alacran e 12 M60VLPD-26/70E Ejercito de la España
  • Etiópia: 84 M60A1
  • Grécia: 357 M60A1 RISE Passive e 312 M60A3, comprados dos EUA nos anos 90. Hoje, 88 ainda restam em serviço.
  • Iêmen: 240 M60A1 e M60A3
  • Irão: 150 M60A1, número desconhecido de blindados modificados para o padrão Samsam.
  • Israel: 711 Magach 6 e 111 Magach 7 (74 a serem colocados em serviço em 2012).
  • Itália: 300 M60A1, retirados de serviço
  • Jordânia: 354 M60A3, muitos modificados para o padrão M60 Phoenix
  • Líbano: 66 M60A3
  • Marrocos: 250 M60A3 TTS e 167 M60A3
  • Oman: 91 M60A1 e 60 M60A3
  • Países Baixos: M60A1 e M60A3, todos já vendidos.
  • Portugal: 96 M60A3 TTS, 70 em operação, 31 estocados no Regimento de Cavalaria Nº4
  • Arábia Saudita: 450 M60A3 e M60A1
  • Taiwan: 178 M60A3
  • Tunísia: 84 M60A3
  • Turquia: 658 M60A3 TTS, 104 M60A1 RISE Passive e 170 M60T Sabra Mk.III
  • Estados Unidos da América:

M-41 Walker Bulldog

M41 wiki.png

O M41 Walker Bulldog é um carro de combate leve fabricado nos Estados Unidos. Foi desenvolvido para substituir o M24 Chaffee.[1][2][3] Seu nome é uma homenagem ao General Walton Walker, morto em um acidente de Jeep na Coreia. A versão modernizada desenvolvida no Brasil foi designada M41C Caxias pelo Exército Brasileiro.

História

Apesar do sucesso do M24, com a evolução do projeto e da blindagem dos veículos de combate, foi detectada a necessidade de uma arma principal mais efetiva. Em 1947, foi iniciada o projeto de um novo carro de combate leve, designado T37. Foi equipado com um canhão de 76 mm preparado como arma antitanque, o que incrementou sua capacidade antitanque. Depois de alterações no projeto, foi renomeado M41.

O M41 é um carro de combate ágil e bem armado. Tem muitas características do M24, tinha ótima velocidade em estradas, confiável e facilmente reparado, sua torre inteiramente soldada possui ótimas características. Por outro lado, é barulhento, possui alto consumo de combustível e pesado o suficiente para causar problemas ao transporte aéreo.

Walker Bulldog nunca foi utilizado em combate pelos Estados Unidos, mas foi empregado pelo Vietnã do Sul na Guerra do Vietnã. Utilizado principalmente em missões de segurança interna, mostrou-se efetivo contra carros de combate inimigos, inclusive o russo T-54.

O M41 foi também exportado para o Brasil (368), Chile (60), República Dominicana (12), Guatemala (10), Somália (10), Taiwan (675), Tailândia (200), Tunísia (10) entre outros. Sua fabricação total atingiu as 5.500 unidades.

Emprego no Brasil

Um M41A1 no Museu Conde de Linhares, no Rio de Janeiro

Devido ao Programa de Ajuda Militar, as forças armadas brasileiras tinham grande facilidae em obter material bélico americano. Em agosto de 1960, os M41 chegaram ao Brasil, que operava os carros de combate M3 Stuart, M3 Lee, já considerados obsoletos durante a Segunda Guerra Mundial, e os M4 Sherman, também protagonista do conflito mundial. Um dos principais veículos blindados importados pelo programa foi o M41. As primeiras 50 unidades foram recebidas em Agosto de 1960. No total, 368 unidades do M41A1 e do M41A3 foram recebidas, tornando o veículo o principal carro de combate do Brasil, até 1994 com a chegada de um lote de carros M-60 A3 TTS americanos.

M41B e M41C Caxias

Com objetivo de nacionalizar os componentes e resolver algumas deficiências do veículo, em 1978, foi iniciado um programa de modernização. Este programa foi realizado em conjunto pelo Centro Tecnológico do Exército e a empresa Bernardini. O programa pretendia tornar o veículo mais confiável, com manutenção nacionalizada, aumentar seu poder de fogo e seu raio de ação.

Estas modificações foram, a troca do motor Continental AOS 895-3 dos M41A1 e AOS 895-5 dos M41A3, ambos a gasolina pelo motor Scania DS14, a diesel, fabricado no Brasil e o alongamento da parte traseira do veiculo, para a colocação do motor a diesel. Este blindado foi designado M41B. As modificações também trouxeram vários problemas a o blindado, o primeiro deles foi o eixo entre o motor e a transmissão, que frequentemente quebrava. A transmissão era a original do M41, que operava com motor a gasolina, que tinha menos vibração que o motor a diesel instalado no blindado. Isso dava muita dor de cabeça as tripulações dos blindados e sempre deixava uma grande quantidade de veículos indisponíveis. Outro problema vinha do alongamento da parte traseira do blindado, que mudou a ponto de gravidade do blindado, acarretando desgaste acentuado das lagartas. Ambos os problemas nunca foram resolvidos.

Muitos blindados do exército foram passados para o padrão M41B, mas logo foi visto que o padrão não atendia todos os requisitos do exército, então foi feito um novo modelo do blindado, chamado M41C Caxias. Houve varias modificações no Caxias, entre elas foram a instalação de sistemas ópticos de fabricação nacional, a melhoria das blindagens frontais, substituição das lagartas por um modelo fabricado pela Novatração Artefatos de Borracha S/A, a colocação de saias laterais no blindado, instalação de lança-granadas fumigeno, a colocação de vários compartimentos na parte traseira da torre, substituição do sistema elétrico e broqueamento do canhão para 90mm.

A ideia original da Bernardini seria a utlização do canhão Cockehill Mark.IV, fabricado sobre licença pela Engesa e usado nos EE-9 Cascavel e no X1A2 Carcará, dois blindados M41B receberam este canhão para testes, porém esta ideia foi abandonada. Se viu que havia uma opção mais barata que comprar canhões novos para os M41, que era o recalibramento dos canhões M32, originais, de 76mm para 90mm, podendo, dessa forma, usar a mesma munição do Cascavel, uma vez que o Exército havia adotado a 90mm como padrão, e também estava começando a ser usado munição APFSDS, que também era 90mm. Os canhões de 76mm originais eram maiores em comprimento que os Cockehill, do Cascavel, Então, o canhão era cortado para que ficasse do tamanho do Cockehill, depois, foi visto que o tamanho do cano não afetava o funcionamento do canhão. Pode ser encontrado ainda blindados com os dois tamanhos de canhão. O canhão era encamisado e depois broqueado para a munição 90mm, porém, esta operação rendeu muitos problemas, um deles era que, em alguns canhões, uma parede do cano era mais grossa que a outra, o que é comum de se encontrar ainda nos M41C do Exército.

Outro problema não resolvido foi o extrator de gases, que não funcionava muito bem, enchendo a torre de gases provenientes dos disparos e dificultando o trabalho da tripulação. Na verdade, a modificação do canhão para 90mm não o fez melhor, e sim pior que o 76mm original, pois só foi levado em conta o tipo de munição que iriam empregar, a de 90mm fabricada no Brasil e a de 76mm não (Exemplo: Munição HE no canhão de 76mm, velocidade de 732m/s com ll,7kg de explosivo e no canhão de 90mm, velocidade de 700m/s com 8,5kg de explosivo).

Apesar do M41C ser um pouco mais lento que a versão original, a troca do motor a gasolina para uma a diesel, Scania DS14, aumentou seu raio de ação de 110 para 550km.

O kit de modernização era projetado para ser levado para exportação, porém não deu certo, por causa da crise no setor da defesa, que aconteceu no fim dos anos 80 e inicio dos anos 90, que acabou com muitos projetos e empresas belicas no país. O kit da Bernardini tambem se mostrou inferior a outros kits vindos principalmente da Europa e dos E.U.A. O kit da Bernardini foi levado para testes na Dinamarca, porem o blindado que estava fazendo a demostração para o Exército Dinamarquês se acidentou quando se chocou contra um obstaculo e acabou provocando danos na suspensão dos dois lados, tendo que ser rebocado por um Leopard 1 e recuperado pelo prorio pessoal da Bernardini e continuando a demonstração, o blindado trazido de volta para o Brasil, uma vez que o blindado não era da Bernardini, e sim do Exército Brasileiro. Porém, o kit da Beranrdini foi usado em blindados M41A3 uruguaios, porem o canhão não é o M32 modificado, e sim o Cockehill Mk.IV, de 90mm.

Com a experiência adquirida na modernização dos M41, a Bernardini desenvolveu um Carro de Combate denominado Tamoyo, derivado diretamente do M-41.

Variantes

M41D
  • M41 (1951).
  • M41A1 (1953): Sistema de acionamento hidráulico da torre ao invés de elétrica. O sistema mais compacto permitiu aumentar a quantidade de munições de 76mm no carro de 57 para 65 tiros.
  • M41A2 (1956): Troca do motor Continental AOS 895-3, com carburador, pelo motor AOS 895-5, com injeção de combustivel.
  • M41A3: Unidades do M41/M41A1 com motor antigo substituído pelo Continental AOS 895-5.
  • M41B: Modificação Brasileira, feita pela Bernardini. Troca do motor Continental AOS 895-5, a gasolina, pelo motor Scania DS14, a diesel e susbtituição do sistema eletrico.
  • M41C Caxias: Modernização Brasileira, feita pela Bernardini. Modificação do canhão de 76mm para 90mm, modernização das lagartas, colocação de sais laterais para proteção das lagartas, melhorias na blindagem frontal, substituição do sistema elétrico, instalação de lançadores de granadas fumigenas e troca do motor a gasolina por um a diesel.
  • M41D : Modernização Taiwanesa. Novo canhão de 76mm, produzido localmente, novo sistema de detecção de alvos, motor Detroit Diesel 8V-71T, a diesel, blindagem reativa.
  • M41DK-1: Modernização Dinamarquesa. Troca do motor original por um motor Cummins VTA-903TR, sistema de guerra NBC, mira termica integrada a um periscopio noturno, saias laterais, para proteção das lagartas e modificação do canhão de 76mm.
  • M41UR: Modernização Uruguaia. Troca do canhão M32 de 76mm por um canhão belga Cockehill Mark IV, de 90mm e do motor Continental, a gasolina, por um motor Scania DS14EX1, a diesel.
  • Nimda M41: Modernização Israelense. Troca do motor original por um motor Detroit Diesel 8V-71T, a diesel e um sistema de detecção de alvos e controle de fogo FCS-53.
  • M42 Duster (1952): Sistema de defesa antiaéreo autopropulsado, baseado no chassi do M41. Dois canhões Bofors 40mm foram montados na torre.

Operadores

M42 Duster
  • Alemanha
  • Áustria: 42 M41 (1960-1979)
  • Bélgica: 135 M41 (1958-1974)
  • Brasil: 368 M41A1 e M41A3, modificados para o padrão M41B e, depois para o padrão M41C Caxias em 1978. Retirados de serviço em 2010 (1960-2010)
  • Chile: 60 M41, 17 M41A1, entregados em 1963 e 43 M41A3, entregados em 1969, já retirados de serviço.
  • Dinamarca: 53 M41DK (1953-1998)
  • República Dominicana: 12 M41B
  • Espanha:
  • Estados Unidos:
  • Filipinas: 7 M41 (1965-1980)
  • Guatemala: 12 M41DK
  • Japão: 147 M41A3 (1961-1981)
  • Jordânia:
  • Líbano: 20 M41A3 (1958-1984), passado para varias forças internas no Líbano, como o Exercito do Libano Livre, Exercito Arabe-Libanes, Milicia dos Tigres, Forças Reguladoras de Kataeb e a Milicia das Forças Libanesas.
  • Nova Zelândia: 10 M41, retirados de serviço
  • Somalia:
  • Taiwan: 675 M41A3 e M41D no Exercito e nos Fuzileiros Navais.
  • Tailândia: 200 M41, retirados de serviço.
  • Tunísia:
  • Uruguai: 47 M41. 22 M41UR, moderizados, ex-Bélgica e 25 M41C Caxias, ex-Exército Brasileiro.
  • Venezuela:
  • Vietnã: 30 M41 capturados do Exército do Vietnam do Sul na Guerra do Vietnam

Veja Também

Predefinição:Referências

Ligações externas

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EE-9 Cascavel

Cascavel wiki.png

O EE-9 Cascavel é um veículo blindado brasileiro de seis rodas desenvolvido principalmente para missões de reconhecimento. Ele foi projetado pela Engesa em 1970, como um substituto para o Brasil da velha frota de M8 Greyhounds. O veículo foi equipado com o canhão de 37 mm do Greyhound, e, posteriormente, uma torre francesa adotada do Panhard AML-90. Seus modelos posteriores carregaram uma torre produzida pela Engesa com um canhão Cockerill Mk.3 belga de 90 mm produzido sob licença com o nome de CE-90.

O Cascavel compartilha muitos componentes do EE-11 Urutu, o veículo blindado de transporte de pessoal da Engesa; ambos entraram em produção em 1974 e agora são operados por mais de 20 países na América do Sul, África e Oriente Médio. Os Direitos do design também foram vendidos para os Estados Unidos através da FMC Corporation. Cerca de 2.767 Cascaveis e Urutus foram fabricados antes da Engesa encerrar suas atividades em 1993.

História

Desenvolvimento

No início da década de 1960, os contratos bilaterais de defesa entre o Brasil e os Estados Unidos asseguravam ao Brasil fácil acesso a equipamentos militares americanos excedentes, incluindo um número dos veículos blindados M8 Greyhound da Segunda Guerra Mundial . A indústria armamentista brasileira limitou-se a restaurar e manter esse arsenal até 1964, quando o envolvimento americano na Guerra do Vietnã impôs restrições sobre a quantidade de tecnologia de defesa disponível para a exportação. O Brasil respondeu criando um programa de substituição da importação em 1968, destinado a reproduzir os equipamentos americanos em serviço. Em 1970, o Exército Brasileiro iniciou o desenvolvimento de um Greyhound atualizado conhecido simplesmente pelas suas iniciais, CRR (Carro de Reconhecimento sobre Rodas). A Engesa, então uma obscura empresa de engenharia civil, assumiu o projeto, e em novembro de 1970 um protótipo foi concluído. O novo EE-9 Cascavel entrou na fase de pré-produção entre os anos de 1972 e 1973. As linhas de montagem do Cascavel e do EE-11 Urutu foram abertas em 1974. Os cascos foram comprados pelo Exército Brasileiro, mas foi montado o mesmo canhão de 37 mm e a torre de seus antecessores Greyhounds. Para competir com armamentos mais formidáveis disponíveis no mercado internacional, a Engesa também comercializou um Cascavel fortemente modificado com transmissão automática e o mesmo canhão 90 mm de baixa-pressão do Panhard AML. Este modelo, destinado à exportação, atraiu o interesse de países do Médio Oriente e vinte foram adquiridos imediatamente pelo Catar.

A venda do Cascavel ao Catar se provou um grande sucesso para a Engesa, e o primeiro sucesso do Brasil no comércio armamentista árabe. Abu Dhabi seguiu o exemplo com uma compra de duzentos Cascaveis em 1977. Ambos Iraque e Líbia escolheram o Cascavel ao invés do Panhard AML-90 ou do CEI-90 Sagaie, com os líbios negociando 400 milhões de dólares para a entrega de duzentos Cascaveis. Após a venda para a Líbia, a Engesa revelou um novo modelo de produção carregando um canhão Cockerill belga fabricado sob licença com o nome de CE-90 no Brasil.

Serviço

As Forças Armadas da Líbia usaram seus Cascaveis com êxito contra tanques egípcios (provavelmente T-54/55 ou T-62) durante a Guerra Líbia–Egito em 1977. Os Cascaveis líbios também entraram em ação no Chade, onde engajaram AML-90s da Legião Estrangeira francesa e Fuzileiros franceses. Um número desconhecido destes Cascaveis foi tarde doado para a Frente Polisário e Togo, enquanto outros permaneceram em serviço até a Guerra Civil Líbia de 2011.

O Governo de União Nacional de Transição (GUNT) de Chade recebeu cinco Cascaveis da Líbia em 1986. Durante o Conflito entre Chade e Líbia, 79 Cascaveis líbios foram apreendidos ou recuperados na Faixa de Aouzou pelas Forças Armadas de Chade, que continuam a mantê-los guardados em depósito.

EE-9 Cascavel destruído nas areias do Norte da Arábia Saudita em 28 de fevereiro de 1991, durante a Operação Tempestade no Deserto.

Durante a Guerra Irã-Iraque, os Cascaveis foram operados por guarnições iraquianas perto do Golfo pérsico. Os carros blindados foram frequentemente capazes de destruir tanques iranianos mais pesados e veículos de combate de infantaria no terreno plano e arenoso em que foram utilizados. Os Cascaveis foram usados como proteção de flancos das unidades blindadas, como veículo de reconhecimento e como artilharia, enterrados no chão, muitos sendo destruídos assim durante a guerra de 2003.

Mais tarde, ataques aéreos da coalizão destruíram vários Cascaveis ao norte da Cidade do Kuwait, durante a Operação Tempestade no Deserto. Após a invasão do Iraque em 2003, os veículos remanescentes foram condenados à sucata; no entanto, os americanos fizeram a restauração de 35 deles em 2008 e os presenteou para a 4ª Brigada da 9ª Divisão do Novo Exército Iraquiano, destinados ao emprego no patrulhamento e em checkpoints.

Zimbabwe adquiriu noventa EE-9 Cascaveis em 1984 como um substituto para o Eland Mk7. Pelo menos um esquadrão Cascavel foi enviado a Moçambique durante a Guerra Civil Moçambicana para proteger as relações comerciais de Harare com a Província do Tete. Os Cascaveis forneceram escolta armada para os comboios e patrulharam as ruas para antecipar ataques de insurgentes da Resistência Nacional Moçambicana (RENAMO). Durante a intervenção de Zimbabwe na Segunda Guera do Congo, aviões Ilyushin Il-76 foram usados para o transporte aéreo de doze Cascaveis até o Aeroporto de N'djili. Após isso os veículos foram usados para engajar tropas ruandesas avançando em Kinshasha. Alguns deles foram abandonados por tropas zimbabuanas no Congo após serem sabotados durante o reparo, enquanto outros quatro foram capturados por facções rebeldes.

O EE-9 Cascavel foi acolhido por muitos exércitos devido ao seu design simplificado e a utilização de componentes já onipresentes na indústria civil. Seu baixo custo quando comparado a outros veículos blindados ocidentais o torna uma compra atrativa, particularmente para nações em desenvolvimento. No auge da Guerra Fria, a natureza estritamente comercial das vendas da Engesa—desprovida de qualquer restrição política de fornecedores—também foi uma alternativa aceitável aos exércitos tanto da OTAN quanto do Pacto de Varsóvia.

Descrição

Todos os EE-9 Cascaveis têm um layout semelhante—o motorista fica sentado à frente do veículo à esquerda, as torres ficam normalmente acima do centro, com o motor e a transmissão na parte de trás. O Cascavel Mk II tem uma torre manual, mas todas as variantes posteriores têm giro elétrico. O Cascavel Mk III é equipado com um canhão Engesa CE-90 de 90 mm que atira munições High Explosive (HE), High Explosive Anti-Tank (HEAT) ou High Explosive Squad Head (HESH). Uma metralhadora coaxial de 7.62 mm também é montada à esquerda do canhão. O CE-90 tem uma elevação de +15° e uma depressão de -8°. Ele não é estabilizado e possui um rudimentar sistema de controle ótico de fogo, que foi atualizado com um telêmetro laser no Brasil. Os últimos Cascaveis produzidos foram equipados com pneus run-flat e uma central reguladora de pressão dos pneus, acessível pelo compartimento do motorista.

Variantes

Cascavel Mk I em exposição no Museu Militar Conde de Linhares, no Rio de Janeiro.
  • Cascavel Mk I: Popularmente conhecido como Cascavel Magro pelo pequeno anel da torre, esse foi o modelo de produção inicial da Engesa e entrou em serviço apenas com o Exército Brasileiro. Foi equipado com a torre do M8 Greyhound e transmissão manual. Sua característica predominante foram seus dois conjuntos de pneus traseiros ligados por uma articulada suspensão Boomerang, o que contribuiu para a tração traseira.
  • Cascavel Mk II: Popularmente apelidado de Cascavel Gordo pelo grande anel de sua torre, este foi o primeiro modelo de exportação da Engesa e entrou em serviço com o Catar, a Bolívia, a Arábia Saudita e a Líbia. Era equipado com uma torre H-90 do Panhard AML-90 e transmissão automática.
  • Cascavel Mk III: É um EE-9 Cascavel Mk II melhorado, com motor a diesel e uma torre produzida pela Engesa com o novo canhão CE-90 de 90 mm. Um protótipo antiaéreo carregando dois canhões automáticos de 25mm também foi testado, mas não foi aprovado. A maioria dos Cascavel Mk I foram atualizados para este modelo.
  • Cascavel Mk IV: Primeiro modelo de produção a ser equipado com o pneu run-flat o regulador da pressão do pneu. Também teve um sistema de controle de fogo mais integrado.
  • Cascavel Mk V: Versão do EE-9 Cascavel Mk IV equipado com um motor a diesel Mercedes-Benz OM52A de 190 cv (142 kW). Essa foi a última variante oferecida pela Engesa para comércio.
  • EE-9U Cascavel MX-8: Versão modernizada pela Equitron para o Exército Brasileiro e os demais usuários do Cascavel. É equipado com um motor MTU/Mercedes eletrônico de 300 cv (220 kW) com sobrealimentação mediante turbocompressor e intercooler. A suspensão boomerang recebeu melhorias no rendimento, o sistema de freio de disco é completamente novo e o desenho dos gases de escape do motor também, expulsando o ar para cima e não para trás, assim reduzindo a assinatura térmica do carro. Também proporciona um muito elogiado sistema de ar condicionado para a tripulação. Integra visão noturna para o motorista e os sistemas de tiro. A torre recebeu o sistema eletro-hidráulico de rotação e elevação do tubo (back-up por sistema manual) similar ao que é utilizado no tanque Leopard da alemã KMW, além de também receber os sistemas de telêmetro laser, térmico e infravermelho da holandesa Orlaco, selecionados pelo comandante e/ou atirador através de um joystick e teclas associadas, e aumento da capacidade de munição na torre. Na parte externa, foram instalados dois lançadores de mísseis anti-tanque (ATGM), que podem ser dimensionados para receber tanto sistemas como o MSS-1.2 (integrando o telêmetro laser do veículo) quanto mais sofisticados como o Attaka russo e o Spike israelense (com sistema autônomo de aquisição e guiagem de alvos).

Operadores

Mapa com operadores do Cascavel em azul e ex-operadores em vermelho
EE-9 Cascaveis da 9ª Divisão do Iraque, em 2008

Atuais operadores

  • Bolívia: 24
  • Brasil: 600 (409 operacionais)
  • Burkina Faso:
  • Burma: 150
  • Colombia: 120
  • Chypre: 126
  • República Democrática do Congo: 19
  • Equador: 28
  • Gabão: 14
  • Gana:
  • Irão: 150; 35 operacionais.
  • Iraque: 364; 35 operacionais.
  • Libia: 500; 70 operacionais.
  • Nigéria: 75
  • Paraguai: 28
  • Catar: 20
  • Saara Ocidental:
  • Suriname: 7
  • Tunísia: 24
  • Togo:
  • Uruguai: 15
  • Zimbabwe: 90; >10 operacionais e 77 na reserva.

Ex-operadores

  • Chile: 83
  • Chade: 5



EE-T1 Osório

Osorio wiki.png

O EE-T1 Osório é um carro de combate pesado desenvolvido nos anos 80 pela empresa brasileira Engesa. Projetado para competir com outro protótipo recém construído pela Bernadini, o Tamoyo, o qual superava em tudo. O Tamoyo foi projetado para operar na selva brasileira e feito especialmente para as condições operacionais e financeiras do Exercito Brasileiro, enquanto o Osório foi projetado para ser o primeiro MBT legitimo brasileiro.

Logo depois participou de uma concorrência para equipar as Forças Armadas da Arábia Saudita, a opção pelo M1 Abrams inviabilizou sua produção. Apenas protótipos foram construídos.

Motivos para a fabricação

Nos anos 80 o exército da Arábia Saudita começara a estudar propostas para um novo carro de combate, a fim de complementar seu arsenal, e no futuro substituir os carros AMX-30, franceses. Como o equilíbrio de forças no Oriente Médio sempre foi muito delicado, os exércitos daqueles países tendem a ser naturalmente militarmente significativos. No caso da Arábia Saudita, favorecida pelas suas grandes exportações de Petróleo, tinham condições de comprar bons equipamentos.

A Árabia Saudita provavelmente compraria os Leopard 2, que estavam entrando em produção para o exército da Alemanha Ocidental. Esse veículo era considerado confiável, e uma geração à frente do Leopard atualmente usado pelo Exército Brasileiro.

Entretanto, o governo da Alemanha Ocidental recusou-se a vender os Leopard 2, alegando que não poderia vender armas avançadas a países de fora da OTAN. Os árabes então não sabiam como obter um veículo considerado de última geração, que pudesse ser-lhes entregue em grandes quantidades. Essa oportunidade de venda foi percebida pela Engesa no Brasil.

A Engesa (Engenheiros Especializados S/A) era a maior fabricante de blindados da América Latina e estava obtendo sucesso com dois de seus produtos, os carros Cascavel e Urutu, usados pelo Exército Brasileiro e exportados, principalmente para o Oriente Médio, onde tomaram parte na guerra Irã-Iraque. Naquela época a empresa viveu sua melhor fase. Sabendo da oportunidade, a Engesa pensou em apresentar aos sauditas um tanque brasileiro.

Entretando, a Engesa ainda não desenvolvera nenhum veículo blindado sobre lagartas, e no caso do projeto, um MBT (Main Batlle Tank), eles não possuíam experiência. Ainda por cima seu pessoal estava ocupado com outros projetos, o que tornaria difícil o desenvolvimento de um projeto deste porte, que demandaria quase todo o pessoal da empresa. Por isso, eles decidiram comprar um projeto desenvolvido em outra empresa e construí-lo ali, para mostrá-los aos Sauditas. Surgiu então uma proposta da empresa alemã Thyssen-Henschel, que possuía um projeto chamado Leopard 3 e que estaria disposta a negociá-lo para os brasileiros. Só que o projeto era de um veículo de combate de infantaria muito semelhante ao TAM argentino, distante do conceito MBT. Os alemães recusaram-se a vender qualquer outra coisa senão o Leopard 3, o que tornara a negociação inviável, pois esse veículo pertencia a outro nicho, incapaz de competir com verdadeiros MBTs como o M1A1 Abrams estadunidense.

Uma segunda oportunidade apareceu novamente na Alemanha, pois a Porsche se interessou em desenvolver um MBT junto com a empresa brasileira. A Porsche possuíra experiência nesse tipo de blindados, e seria uma forma da Engesa adquirir mais experiência nesse assunto. Mas, novamente a parceria não deu certo, dessa vez por determinação do governo alemão, que ordenou que a Porsche cancelasse o projeto.

Diante do impasse dos grandes fabricantes de MBT, a Engesa tomou decidiu procurar diretamente as empresas fornecedoras desses fabricantes e, com base na tecnologia aí adquirida, desenvolver ela mesma o projeto do MBT. Essa decisão custaria a existência da empresa no futuro.

Obstáculos Iniciais

Desenvolver projetos independentemente seria mais difícil do que no caso de uma parceria, pois vários obstáculos teriam que ser transpostos, dentro e fora do Brasil. O mundo estava na Guerra Fria e a Bipolarização (1945-2003)., o que representava antagonismos no mercado de equipamento bélico: Ao mesmo tempo que aumentava as vendas de material militar, também dificultava este mesmo comércio, devido à desconfiança entre países.

A Engesa ainda teria que "agradar" ao Exército Brasileiro. Interessado no projeto, este emitiu um OBO (Objetivos Básicos Operacionais), que ditaria o projeto do Osório. Um dos grandes problemas deste OBO era a limitação de peso na casa das 36 toneladas, irreal para a configuração desejada pela Engesa para o projeto isso porque outros veículos, potenciais concorrentes tinham pesos entre 44 e 65 toneladas. O peso determinado pelo Exército não era de um MBT mas sim de um tanque leve. O Tamoyo III, veículo desenvolvido pela Bernardini em paralelo ao Osório se ateve ao OBO, e tornou-se um tanque médio, não um MBT.

O Exército Brasileiro na realidade não procurava por um MBT por dois motivos: O primeiro é que a atribuição das Forças Brasileiras eram essencialmente defensivas, visando a proteção do território nacional. O Brasil já praticava a não intervenção e a neutralidade. A esse tipo de atribuição, de acordo com os generais de então, não cabia para um MBT, arma essencialmente ofensiva. O outro motivo era simplesmente o alto custo dessas máquinas. Isso aplica-se ao custo por unidade, e também aos custos de manutenção. Um veículo como o Osório, seria obviamente caro para os padrões do Exército.

Contudo a Engesa conseguiu reduzir as limitações que o Exército dava ao projeto. Foi fixada como meta para o peso o número de 42 toneladas. A limitação de largura seria mantida (3,20m). Essas limitações se davam por conta das ferrovias brasileiras, utilizadas nos transportes dos tanques. Fechados os parâmetros, começava o desenvolvimento do projeto.

Nessa época também definiu-se o nome do veículo: Osório. Em homenagem ao general Osório, patrono da arma de cavalaria do Exército Brasileiro, que liderou ao lado do Duque de Caxias o avanço sobre Assunção, e a vitória na Guerra do Paraguai. Na Arábia Saudita, receberia do nome de Al Fahd]], nome do então monarca daquele país.

Depois disso, a Engesa enviou engenheiros pelo mundo para pesquisarem sobre o que poderia ser utilizado no projeto do EE-T1. Eles procuravam por equipamentos que seriam utilizados como motor, transmissão (e etc].). Ainda havia outros obstáculos, mas o Exército Brasileiro já começava a "se empolgar" com o projeto, e se movia para apoiar a empresa.

O projeto

O projeto que usava alta tecnologia, foi feito com recursos da própria Engesa, sem ajuda governamental, sendo que isto provocaria sua ruína no futuro. Os engenheiros, em suas viagens de pesquisa encontraram bons equipamentos disponíveis. A maioria europeus (Os americanos não vendiam equipamento militar "de ponta"). Assim, os engenheiros foram até a Defence Components Exhibition, na Inglaterra. Lá, interessaram-se pela suspensão hidropneumática Dunlop, que estava sendo empregada no MBT inglês Challenger 1. Para usá-la, o projeto original teria de ser modificado, entretanto a vantagem era tamanha, que esta suspensão foi escolhida.

Para a transmissão, estudou-se duas transmissões, a HSWL 234, da Renk Aktiengesellschafte, já usada no Leopard 2] e a LSG 3000, da ZF Friederichshafen AG, após estes estudos, optou-se pela transmissão da ZF, pelo fato desta empresa possuir instalações no Brasil, e que a esta transmissão seria produzida aqui, obtendo-se uma redução de custos. Para o motor, foi escolhido originalmente o MTU alemão, utilizado nos Leopard 1 e Leopard 2, e com a empresa querendo sua fabricação no Brasil, porém o custo era elevadíssimo, então a empresa decidiu utilizar o TBD 234 de 1.014 Cavalos, da também alemã MWM. Este motor, ainda não havia sido utilizado em blindados.

No desenho do projeto foi utilizada a tecnologia CAD, para desenhar o projeto com o auxílio de computadores. Isso mostrou que a Engesa queria fornecer um veículo de qualidade absoluta, atualmente, tais métodos, chegam a serem considerados banais.

No quesito armamento, o projeto foi diversificado: Decidiu-se por duas versões: A primeira, a mais sofisticada, levaria canhão de 120 mm GIAT G1 (francês), de alma lisa. Esta seria a exportada para a Arábia Saudita. Uma segunda, utilizaria o canhão 105 mm de alma raiada L7/M68. Esta seria a versão do Exército Brasileiro (O canhão de 105mm é padrão no ocidente, portanto muitos países produzem munição, e seu custo de manutenção é mais baixo). O Chassi era o mesmo para as duas versões, as diferenças estavam na torre (a do 120mm possuía melhores equipamentos eletrônicos). Como armamento secundário, uma metralhadora Hughes EX34 7,62 mm, coaxial ao canhão e a famosa Browning M2 .50, atuando como defesa antiárea, tambem poderia ser utilizada a FN MAG, de 7,62, com o mesmo uso. O Osório possuía ainda, no alto da torre lançadores de granadas fumígenas, que formariam uma cortina de fumaça ao redor do tanque, impedindo-o de ser visto.

Para a blindagem, através de testes, concluiu-se que o Osório deveria utilizar-se de blindagem composta, utilizada até hoje. Isso foi decidido, pois esperava-se que um Osório suportasse um disparo direto de 120mm (pois com esse canhão, supõe-se que seus inimigos também o teriam). Assim, eles foram a Chobhan, Inglaterra obter a tecnologia de blindagem composta. Acabaram por contratar dois engenheiros especializados, que desenvolveram a blindagem composta no Brasil, juntamente com uma de aço criada pela Usiminas. Especulou-se usar blindagem reativa (reactive armour) no Osório, e, apesar de nunca ter sido colocada, esta poderia ser utilizada. O Osório contava também com a frente bastante angulada, aumentando o efeito da blindagem (na parte superior, o ângulo da blindagem com o solo é de quase 0º).

O Osório contaria ainda com a proteção NBC (Nuclear, Biological, Chemical) capaz de conceder à guarnição proteção para muitos tipos de arma. Essa proteção consistia em um isolamento total da cabine, criando um ambiente interno controlado. Entre esses dispositivos, cita-se como exemplo a abertura manual do canhão, mantendo o municiador fora de contato com a atmosfera exterior.

A eletrônica era muito avançada e o tanque contava com telêmetro laser (que mede a distância do tanque ao alvo, calculando a elevação do canhão). O sistema de controle de fogo era o Centaur, britânico, fabricado pela Marconi, todo sistema era comandado pelo computador de bordo de 16 bits, que era alimentado pelos dados obtidos do telêmetro laser, fornecendo melhores condições para o disparo. Também possuía sensores para velocidade e intensidade do vento, condições atmosféricas, velocidade do projétil, entre outros. O atirador e o comandante dispunham de perisocopios diurnos e noturnos, variando conforme a versão da torre (105mm ou 120mm), a torre de 105mm, era equipada com dois periscópios belgas, fabricados pela OIp, o comandante era equipado com o modelo LRS-5DN e o atirador era equipado com um modelo LRS-5DNLC, ambos com visão noturna, já a torre de 120mm era equipada com dois periscópios franceses, fabricados pela SFIM o atirador era equipado com um modelo VS580 VICAS, com telémetro a laser, o comandante era equipado com um periscópio VS580, com visão panorâmica, a torre também era equipada com um sistema de visão e tiro noturno, era um sistema holandês, fabricado pela Philips, modelo UA 9090, na qual tinha visores tanto para o comandante, tanto para o atirador. O Osório tinha a torre estabilizada, e compensador de desníveis, mantendo o canhão na direção certa do alvo independente da mudança de terreno. Aliado à sua "janela de coincidência" o índice de acerto no primeiro tiro era de incríveis 95%. A margem de erro não passava de um círculo com 50cm de raio.

Protótipos, ensaios e testes iniciais

A Engesa fixara a preparação do primeiro protótipo para um ano após o início do projeto. Para ganhar tempo, eles entregaram o desenvolvimento da torre à Vickers, inglesa, sob a supervisão de engenheiros brasileiros, enquanto que o chassi era desenvolvido nas dependências de uma filial da Engesa em São José dos Campos, São Paulo.

Simultaneamente, testes de blindagem eram realizados no CTA (Centro Tecnológico Aeroespacial), com a utilização de canhões de 25 mm suíços, comprados pela própria Engesa, em túnel balístico com modelos reduzidos de blindagem e aumento de velocidade dos projéteis, imitando-se assim o disparo de armas de 105mm e 120mm.

O primeiro chassi ficou pronto antes da torre, em setembro de 1984. A Engesa então acoplou-lhe uma torre falsa e o submeteu a testes de resistência, rodagem e ensaios dinâmicos, a fim de consertar defeitos no conjunto. Os que foram descobertos foram sanados, e os parâmetros da suspensão hidropneumática, acertados.

Em maio de 1985 chegou a "torre padrão" equipada com o canhão 105mm raiado. Ela foi imediatamente acoplada ao chassi e testada. Em Julho deste mesmo ano, o Osório seguia para a Arábia Saudita a bordo de um 747 para seus primeiros testes no deserto. A intenção era enviar o protótipo com torre de 120mm (ainda não terminada) contudo os outros concorrentes já estavam apresentando seus modelos e a Engesa decidiu-se por levar o protótipo que já tinha, para analisar o desempenho do chassi no deserto. Lá, encontrou-se com o britânico Challenger que também estava em fase de testes. O desempenho do Osório foi positivo, revelando deficiências em especial no motor, mas eram falhas sanáveis. A equipe voltou ao Brasil contente com estes testes.

O Exército colaborava, e o CTEx (Centro Tecnológico do Exército) mantinha uma ligação com a equipe, mantendo engenheiros junto à Engesa, que a instruíam principalmente sobre a manutenção. A fábrica do motor efetuou modificações no propulsor que resolveram os problemas apresentados no deserto. Nisso, o Exército Brasileiro iniciou vários testes com o Protótipo equipado com a Torre Padrão.

Os testes foram para elaboração do RTEx (Relatórios técnicos experimentais) e RTOp (Relatórios técnicos operacionais), testes elaborados para avaliar-se o que for necessário em um veículo. O protótico foi aprovado pelo Exército Brasileiro após estes testes, que foram:

  • Rodagem de 3.269 km, sendo 750 no campo de provas da Marambaia - RJ (Terreno acidentado), além de tiro, 50 disparos no total. Os resultados empolgaram os militares brasileiros.

Em princípio de 1986, a Vickers entregou a segunda torre, com canhão de 120mm. Imediatamente foi incorporada ao chassi e testado em RTEx e RTOp. Como seu predecessor, foi aprovado com louvor. A próxima fase era analisar o seu desempenho frente aos seus concorrentes.

Atuação no deserto e sucesso inicial

Em Julho de 1987, o protótipo com o canhão de 120mm seguiu para a Arábia Saudita, para a nova fase da competição. Os quatro veículos se confrontariam em vários testes. Os veículos eram: O Britânico Challenger 1, o Americano M1 Abrams, o Francês AMX-40 e o Brasileiro EE-T1 Osório.

Os testes consistiam em:

  • 2.350 km de rodagem, sendo 1750 km em deserto. A guarnição que operaria o tanque era do Exército Saudita, escolhida por sorteio. Neste teste, analisaria-se também o consumo de combustível que deveria ser no máximo de 2,1 km/l em deserto e 3,4 km/l em estrada.
  • Rampas: Superar trincheiras de 3m de largura; arrancada, partindo do repouso em rampa de 65% de inclinação, rodar em rampa lateral de inclinação 30%, aceleração e frenagem no plano e em rampas.
  • Resistência e manutenção: Remoção e colocação de lagartas em 40 minutos (10 para a retirada, 30 para a colocação), 6 horas com motor em funcionamento constante e veículo parado, 6 km de marcha-a-ré e reboque de um carro de combate de 35 ton por 15 km. O Osório rebocou o Abrams, muito mais pesado do que 35 ton.
  • Tiro: 149 disparos. 82 com veículo e alvo estacionados a 4000m de distância; os demais com veículo estacionado e alvo em movimento e veículo e alvo em movimento a 1500m de distância.

Foram reprovados os dois veículos europeus na disputa (O Challenger e o AMX-40), e o Osório, juntamente com o Abrams foram declarados passíveis de compra. Sendo que, aparentemente o que mais impressionara nos testes fora o Osório, mostrando-se superior ao Abrams, e mais barato.

A euforia brasileira foi enorme. O contrato chegou a ser preparado com previsão de se construir inclusive uma linha de montagem na Arábia Saudita. Militares Sauditas vieram ao Brasil para receber treinamento em tecnologia de blindados. O Exército Brasileiro estava exultante, pois o contrato incluía no preço final um acréscimo de 10% para o Exército Brasileiro (assim, a cada dez unidades vendidas para os sauditas uma seria entregue ao Exército Brasileiro, paga pelos Árabes). O negócio era da ordem de bilhões de dólares. Cada unidade do Osório de série custaria 1,2 milhões de dólares.

Em 1988 em Abu Dhabi, o Osório tornou a derrotar os mesmos três adversários acrescidos do C-1 Ariete Italiano, mostrando sua competência. Os únicos veículos de sua categoria contra os quais o Osório não competiu foram os tanques russos. Como a guerra fria vingava, não havia muitos tanques russos para se fazer comparativos.

Para atender a essa futura demanda, a Engesa planejava expandir seu parque em cerca de 1.200 metros quadrados, aumentar seu maquinário, expandir seu quadro em 500 ou mais funcionários, trazendo empregos, divisas e tecnologia. A vitória e as vendas para os sauditas eram dadas como certas, e uma pré-série começava a ser construída, para exportação. Outros mercados ainda eram sondados: O Iraque se interessou no veículo, tendo inclusive o ministro da defesa iraquiano vindo ao país para conhecer o carro.

Ataques políticos estadunidense ao Brasil e a empresa

Finalmente, os Estados Unidos agiram, alegando que o Brasil não respeitava acordos internacionais e, principalmente, que negociava com nações tidas como inimigas, fizeram com que a Arábia Saudita hesitasse em fechar o acordo com a Engesa. Hesitação que se tornou recusa com a eclosão da operação Tempestade no Deserto contra o Iraque em 1991, fazendo com que os laços entre os Estados Unidos e a Arabia Saudita se estreitassem de tal forma, que os sauditas decidiram ignorar a capacidade bélica demonstrada pelo EE T1 Osório e assinar o acordo com seu principal aliado, os próprios Estados Unidos.

Dada a natureza da empreitada, dos obstáculos enfrentados e, principalmente, pelo risco de se investir quase todos os seus recursos num projeto voltado para compradores estrangeiros, a Engesa acumulou várias dívidas. Mas, nesse momento, demonstrou-se os verdadeiros riscos da empreitada: a não disposição do governo brasileiro em investir nesse ramo e a conseqüente falta de compradores para o EE T1 Osório.

A falta de disposição do governo brasileiro demonstrou-se, principalmente, pela pequena atuação tanto na política em prol do produto, tanto quanto na ajuda financeira diante da situação precária da Engesa. A ausência de dinheiro para o Exercito Brasileiro em adquirir o EE T1 Osório foi interpretada pelo mercado como sendo, na verdade, uma falta de interesse do mesmo no produto. Levando a conclusão de que se nem o próprio Exercito Brasileiro compra o tanque, então os compradores de outros certamente não iriam comprá-lo. O primeiro Osório de pré-série foi vendido como sucata, seus equipamentos devolvidos (canhão, optrônicos, motor, transmissão...) aos fabricantes para aliviar as dívidas. Patrimônio foi vendido e em 1993 a Engesa faliu. Era o fim da linha.

Os protótipos construídos e sobreviventes (Torre padrão e o de 120mm) ficaram sob custódia do Exército, mais precisamente no 13º R C Mec (13º Regimento de Cavalaria Mecanizado), em Pirassununga, Estado de São Paulo mas sem pertencerem a este, portanto quase abandonados. Esses veículos seriam leiloados em 20 de novembro de 2002, contudo, o ministério público de São Paulo impetrou ação, impedindo a venda destes veículos. Eles seriam vendidos por R$ 300.000,00 as duas unidades, para um comprador particular, uma quantia irrelevante frente aos 50 milhões de dólares gastos em seu desenvolvimento.

Finalmente em 22 de março de 2003, ocorreu uma cerimônia de entronização no quartel do 13º R C Mec, onde o protótipo 2 (P2) equipado com canhão de 120mm desfilou perante as autoridades, escoltado pelos demais veículos da cavalaria daquele regimento. Era o "renascimento do Osório". O outro protótipo (P1) com canhão de 105mm está sendo restaurado, pois o tempo lhe trouxe alguns defeitos que serão reparados e ele também será incorporado a este regimento.

Hoje, ambos os veículos são de propriedade do Exército Brasileiro, sendo considerados monumentos à memória e a tecnologia do Brasil. Até hoje, o Osório constitui o carro de combate mais avançado do inventário do Exército Brasileiro (único com canhão de 120mm), e duas gerações a frente do Leopard, hoje principal carro de combate em uso no Brasil. Em Abril de 2003, ele esteve exposto na LAD 2003 (feira de material de defesa). Impressionou várias delegações estrangeiras, mesmo tendo sido fabricado na década de 80. Em 2003, foi aprovado um plano de reforma do Osório do Exército Brasileiro, e encontra-se em estudo, uma reformulação e possível produção do MBT Osório. Os meios de produção encontram-se em poder do Exército, portanto, a possibilidade existe.

A Volta do EE-T1 Osório

Atualmente, há uma versão do Osório em exposição no Museu Militar Conde de Linhares-RJ e outra no Centro de Instrução de Blindados (CI Bld) de Santa Maria-RS

O Exército Brasileiro herdou, por decisão judicial, o patrimônio tecnológico da ENGESA. E hoje, se houver interesse do comando do Exército, a retomada do projeto poderia realizar-se engenharia reversa nessa unidade restante do EE-T1 OSÓRIO, aperfeiçoando-se a nova versão do carro para os padrões atuais, seria possível a retomada do projeto e também a produção em larga escala. Também seria preciso a construção de uma nova instalação para a montagem final do carro de combate, juntamente com a modernização ou mesmo a troca de parte do maquinário herdado pela Imbel. Seria possível também o desenvolvimento de uma versão do Osório na configuração de obuseiro autopropulsado e também uma na configuração de carro de combate de defesa antiaérea. Mesmo com todo o maquinário de produção não se sabe porque o comando do Exército ainda não autorizou a retomada do projeto pois uma eventual construção de uma fábrica não custaria mais de 75 milhões, o que é uma quantia desprezível quando em comparação à recente compra realizada pelo Exército dos Leopard 1A5 de fabricação alemã.

Videogame

Em 2016, a empresa Playtronic lançou em diversas lojas de aplicativos Android, o jogo 2D "EE-T3 Osório" em homenagem ao tanque da ENGESA. No game, o jogador controla o EE-T3 como se fosse uma variação do blindado EE-T1/EE-T2, e precisa progredir no terreno, enfrentando soldados, minas terrestres, veículos inimigos e outros tanques.



MB-3 Tamoyo

MB-3 Tamoyo.
Tamoyo wiki.png

O MB-3 Tamoyo é um carro de combate brasileiro, desenvolvido pela empresa Bernardini em parceria com o Centro Tecnológico do Exército, baseados na experiência adquirida com a modernização do M41C Caxias. Nunca foi produzido em série.

Descrição

O Tamoyo é um derivado do M41, incorporando novas tecnologias e um canhão de 90 ou 105 mm, mas mantendo as características apreciadas pelo Exército Brasileiro no M41. Foram desenvolvidos nos protótipos diversos componentes baseados nas peças do M-41,o trem de rolamento e suspensão eram semelhantes.

Ao contrário do EE-T1 Osório da Engesa, era um carro de combate médio, e projetado de acordo com as necessidades do Exército Brasileiro e do parque automobilístico nacional, de forma a reduzir a dependência de equipamentos e peças importadas. O Osório era um MBT, um carro de combate pesado, foi desenvolvido para uma possível encomenda da Arábia Saudita, e incorporava diversos equipamentos importados.

Baseado nos requisitos operacionais estabelecidos pelo Exército Brasileiro, a Bernardini começou a desenvolver o novo veículo, (1982-1983.). inicialmente denominado X-30. O veículo não poderia superar as 30 toneladas, limite imposto de sistema rodoviário e ferroviário brasileiros. Foram contactadas empresas nacionais que poderiam fornecer componentes para o projeto.

Protótipos

O primeiro protótipo foi finalizado em 1984 e foi designado Tamoyo I. Possuía suspensão por barras de torção, canhão M32 de 90mm, do M41C, motor Scania DSI14, mecanismo de giro da torre nacional, sua transmissão Alisson CD-500-3 (a mesma empregada no M-41, vendo que era uma exigência do Exército), blindagem leve e baixa silhueta.

O Tamoyo II tinha por objetivo adaptar o veículo ao mercado internacional, foi incorporado uma transmissão GE HMPT-500-3, mesma dos blindados M-2 Bradley americanos, que foi acoplada a o motor Scania DSI14. o canhão seria um modelo de 105mm, porém, foi mantido o M32 de 90mm, vindo do M41C Caxias.

O Tamoyo III apresentava uma série de aperfeiçoamentos, distinguindo-se facilmente dos modelos anteriores. O Tamoyo passa a incorporar modernas tecnologias, como a blindagem composta de aço e cerâmica, telêmetro laser, visão noturna e térmica, direção de tiro computadorizada, torre estabilizada para tiro em movimento. O veículo recebeu o moderno canhão de 105mm L7 Royal Ordnance e um motor Detroit Diesel 8V92TA, este motor era somente para o estagio inicial de desenvolvimento, era planejado um motor com media de 900hp a 1000hp. A transmissão foi um problema, pois a transmissão GE não aguentava mais de 600hp, e uma nova transmissão, mais resistente, ainda estava sendo projetada, a ZF não tinha protótipos disponíveis, então o jeito foi instalar um modelo Alisson CD-850-6A, a mesma do M60 Patton, que atendeu os pre-requisitos perfeitamente. O chassi e a torre foram modificados e a blindagem frontal foi aumentada, o peso total atingiu as 31 toneladas.

Nacionalização

Com as opções por um canhão de 90mm ou 105mm o fabricante afirmava que o tanque tanto poderia ser utilizado como um veículo blindado médio de reconhecimento, como com o canhão maior de 105mm e melhor blindagem e motor poderia formar agrupamentos de carros de combate, adequados para enfrentar qualquer ameaça que se poderiam esperar no subcontinente sul-americano.

O Tamoyo poderia ser equipado com um computador de tiro da Ferranti, enquanto que o periscópio era estadunidense, fabricado pela empresa Kolmorgan. Alguns dos sistemas não estavam instalados a bordo dos tanques TAM argentinos que eram naquela altura a referência para os brasileiros.

O motor considerado para o tanque foi inicialmente o conjunto motriz Scania DSI 14, com a potência de 550hp, fabricado pela Scania no Brasil. Mas a possibilidade de utilizar um motor Detroit Diesel 8V92TA, com 750hp também foi considerada, para o caso de o veículo ser exportado e haver preferência por esse motor.

A grande vantagem do Tamoyo como possibilidade para carro de combate brasileiro, estava na grande percentagem de incorporação de componentes fabricados no Brasil. Toda a blindagem, a torre os sistemas hidraulicos, as lagartas, um dos motores e até o canhão (no caso do 90mm) podiam ser fabricados no Brasil. Alguns dos outros equipamentos, embora de origem internacional, poderiam ser nacionalizados desde que o numero de sistemas a adquirir fosse suficiente e justificasse a operação.

M108 E M109

M108

Um M108 no Vietnã.
Um M108 (direita) ao lado de um M247.

O M108 Howitzer é um tanque americano de artilharia (automotora) com um canhão howitzer de 105 mm, introduzido no serviço ativo na década de 1960.[4]

O M108 tinha um motor Detroit Diesel de 8 cilindros 8V-71T de 405 hp. Ele usa um design e peças similares aos blindados M109 e M-113. O M108 começou a ser retirado do serviço pelos Estados Unidos após a Guerra do Vietnã. Outros países também começaram a aposenta-lo, em favor do mais moderno e poderoso M109 de 155 mm.[4]

Utilizadores

  • Bélgica: 90 (aposentados na década de 1980)
  • Brasil: 72 M108AP (sendo aposentados)
  • Espanha: 48 (aposentados)
  • Taiwan: 100
  • Turquia: 26 M108T[5]
  • USA: 0 (aposentados)
  • Tunísia: 48

M109

O M109 é um obuseiro autopropulsado de 155 mm, que entrou em serviço nos anos 60. Este blindado está no inventário de mais de 30 países, incluindo Brasil e Portugal.[6]

No dia 8 de março de 2018, o Parque Regional de Manutenção da 5ª Região Militar (Pq R Mnt/5) recebeu o lote inicial de quatro Viaturas Blindadas de Combate Obuseiro Autopropulsado (VBCOAP) M109 A5. Com o recebimento das VBCOAP M109 A5, o Exército Brasileiro agrega à Força Terrestre um maior poder de combate, além de pertencer a um seleto grupo de países detentores deste tipo de material.

Em 03 de outubro de 2018, desembarcaram mais 56 unidades da VBCOAP M109 A5. O lote foi doado pelo Exército dos Estados Unidos (EUA) e será modernizado e adaptado para os padrões das Forças Armadas brasileiras no Parque Regional de Manutenção da 5ª Região Militar (Pq R Mnt/5).

O M109 A5 tem maior alcance e reduz, em mais de 80%, o tempo entre o recebimento da missão tiro e o disparo, em relação aos modelos anteriores. Além de maior precisão no tiro e de melhorias no sistema de posicionamento e navegação, a viatura ainda será equipada com medidor de velocidade inicial, travamento automático do tubo, GPS, navegação inercial, sistema eletrônico de pontaria e computador de tiro.

Operadores

M109
  • Líbia
M109A1
  • Emirados Árabes Unidos
  • Etiópia
  • Grécia
  • Irão
  • Kuwait
  • Marrocos
  • Omã
  • Peru
  • Suiça
M109A2/A3
  • Alemanha
  • Arábia Saudita
  • Bélgica
  • Brasil
  • Dinamarca
  • Egito
  • Espanha
  • Grécia
  • Itália
  • Jordânia
  • Marrocos
  • Noruega
  • Países Baixos
  • Paquistão
  • Portugal
  • Tunísia
M109A2/A5
  • Áustria
  • Taiwan
M109A4
  • Bélgica
  • Canadá
  • Marrocos
M109A5
  • Arábia Saudita
  • Brasil
  • Chile
  • Egito
  • Espanha
  • Filipinas
  • Grécia
  • Iraque
  • Israel
  • Marrocos
  • Paquistão
  • Portugal
  • Tailândia
M109A6 "Paladin"
  • Arábia Saudita
  • Estados Unidos
K55/K55A1
  • Coreia do Sul

Viatura Blindadas de Transporte Especial Remuniciadora (VBTE Remun) M992A2

O VBTE Remun M992 A2 é uma viatura blindada de reabastecimento de munição com um transportador hidráulico, e destinam-se a acompanhar e municiar as Viaturas Blindadas de Combate – Obuseiro Autopropulsado (VBCOAP) M109 A5, otimizando o emprego e modernizando a arma de artilharia no Brasil. Em 03 de outubro de 2018, desembarcaram 40 unidades da VBTE. O lote foi doado pelo Exército dos Estados Unidos (EUA) e será modernizado e adaptado para os padrões das Forças Armadas brasileiras no Parque Regional de Manutenção da 5ª Região Militar (Pq R Mnt/5).

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Ligações externas

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A Batalha de Kursk

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A Batalha de Kursk foi uma batalha significativa da Segunda Guerra Mundial entre as forças alemãs e soviéticas na Frente Oriental perto de Kursk (450 quilômetros ou 280 milhas a sudoeste de Moscou) na União Soviética durante julho e agosto 1943. A ofensiva alemã teve o nome de código Operação Cidadela (alemão: Unternehmen Zitadelle) e levou a um dos maiores confrontos blindados da história, a batalha de Prokhorovka. Mantém-se, até hoje, como a maior batalha de blindados de todos tempos, e inclui o maior custo de perdas aéreas em um só dia na história da guerra. Embora os Alemães tivessem planejado e iniciado uma ofensiva, a defesa Soviética conseguiu com sucesso lançar uma contra-ofensiva e parar as suas ambições.

História

O Exército Alemão confiava em forças blindadas para avançar rapidamente através das linhas inimigas (a famosa táctica Blitzkrieg). Isto significa que apenas podiam avançar com a ofensiva durante o Verão, quanto o clima continental Russo tivesse secado a terra suficientemente para dar aos tanques uma maior mobilidade. A Frente Leste em 1941 e 1942 tinha se desenvolvido numa série de avanços Alemães durante o Verão, seguidos de contra-ataques Soviéticos no Inverno.

No Inverno de 1942/1943, os Soviéticos conclusivamente ganharam a Batalha de Stalingrado. Um exército completo tinha sido perdido, juntamente com cerca de 500.000 Alemães e Aliados, gravemente esgotando as forças do Eixo no Leste. Com a iminente invasão Aliada da Europa, Hitler percebeu-se que uma derrota dos Soviéticos antes da chegada dos Aliados Ocidentais se tinha tornado improvável, decidindo forçar os soviéticos a um impasse.

Em 1917, os Alemães haviam construído a famosa linha Hindenburg na frente Leste, diminuindo as suas linhas e por sua vez a sua força defensiva. Planejaram em repetir esta estratégia na Rússia e começaram a construir em massa uma série de defesas conhecidas como a linha Panther-Wotan. Pretendiam retirar para a linha em finais de 1943 e prosseguir a causar danos nas forças soviéticas enquanto as suas próprias forças recuperavam.

A Fevereiro e Março de 1943, Erich von Manstein tinha completado uma ofensiva durante a Segunda Batalha de Kharkov, deixando a linha dianteira funcionando aproximadamente de Leningrado a norte de Rostov no sul.

Planos Alemães

Von Manstein pressionou para uma nova ofensiva baseada na mesma linha bem sucedida que tinha acabado de perseguir em Kharkov, quando cortou fora uma ofensiva soviética demasiado estendida. Sugeriu enganar os soviéticos em um ataque no sul de encontro desesperadamente ao 6º Exército, que se estava a reformar, conduzindo-os à Ucrânia ocidental. Ele poderia então retornar ao sul de Kharkov, enquanto ele abortava uma muito expandida ofensiva soviética.

O Oberkommando der Wehrmacht (OKW) não aprovou os planos de Von Manstein e, em vez disso, virou sua atenção para o inchaço óbvio nas linhas entre Orel e Kharkov. Três exércitos alemães inteiros ocuparam o campo dentro e ao redor da saliência e espremeram quase um quinto da força do Exército Vermelho. Também resultaria em uma linha muito mais reta e curta, a captura na estrategicamente útil cidade de Kursk localizada na principal linha ferroviária norte-sul de Rostov à Moscou.

Em março, os planos se cristalizaram, o 9º Exército de Walter Model atacaria partindo de Orel em direção ao sul, enquanto o 4º Exército Panzer de Hermann Hoth e o Army Detachment Kempf sob o comando geral de Manstein, atacaria partindo de Kharkov em direção ao norte. Eles planejavam se encontrar perto de Kursk, mas se a ofensiva fosse boa eles teriam permissão para continuar em frente por sua própria iniciativa, com um plano geral para criar uma nova linha no Rio Don longe ao leste.

Blindados alemães se movimentando pela União Soviética.

Contrário ao seu comportamento recente, Hitler deu à Coordenação Geral controle considerável sobre os planos de batalha. Nas semanas seguintes, eles continuaram a aumentar o escopo das forças anexas ao fronte, reduzindo a linha alemã inteira a algo praticamente nada útil para posicionamento na batalha emergente. Primeiro eles armaram o ataque para 4 de maio, mas eles o atrasaram até 12 de junho e finalmente até 4 de julho para dar mais tempo para que novas armas chegassem da Alemanha, especialmente os novos tanques Panthers.

Alguém poderia intuitivamente contrastar este plano como a tática tradicional (e vitoriosa) blitzkrieg, usada até este ponto. Blitzkrieg dependia de juntar todas as tropas disponíveis em um ponto único na linha inimiga, atravessando e depois avançando tão rápido quanto possível para cortar os suprimentos e informações das tropas inimigas na linha de frente. Blitzkrieg envolvia evitar o combate direto a todo o custo: atacar um ponto forte fazia sentido, se o invasor pudesse atingir os mesmos fins, e ao invés disso atacasse os caminhões de suprimento que abasteciam o ponto forte. E Blitzkrieg trabalhava melhor atacando a localização menos esperada — uma vez que os alemães haviam atacado através dos Ardennes em 1940 e em direção a Estalingrado em 1942.

A concepção da OKWs para o ataque na saliência de Kursk, Operação Cidadela formou a antítese para este conceito. Qualquer pessoa com um mapa podia predizer confidencialmente o ponto óbvio de ataque: o plano alemão refletia o pensamento da Primeira Guerra Mundial mais que o Blitzkrieg. Vários comandantes alemães questionaram a idéia, notadamente Heinz Guderian que perguntou à Hitler: "É realmente necessário atacar Kursk, e até mesmo no leste [aquele ano] por algum motivo? O senhor acha que alguém pelo menos sabe onde fica Kursk?". Talvez, o mais surpreendente é que Hitler respondeu: "Eu sei. A idéia de fazê-lo me revira o estômago."[7]

Simplesmente colocada, a Operação Cidadela incorporava um plano nada inspirador.

Planos Soviéticos

O Exército Vermelho também tinha começado a planejar sua própria ofensiva emergente de verão e havia feito um plano que se espelhava no dos alemães. Ataques em frente de Orel e Kharkov bambeariam a linha e potencialmente levariam a uma ruptura perto do Rio Pripyat. No entanto, os comandos Soviéticos tinham preocupações consideráveis sobre os planos alemães.

Todos os ataques alemães anteriores deixaram os Soviéticos adivinhando de onde viriam e neste caso Kursk parecia muito óbvia para que os alemães a atacassem. Entretanto, Moscou recebeu avisos sobre os planos alemães através de uma ligação espiã na Suíça.

Stalin e uma meia dúzia de Stavka (Coordenadores Gerais) do Exército Vermelho queriam atacar primeiro. Eles sentiam que a história tinha demonstrado a inabilidade soviética de se levantar a ofensivas alemãs, enquanto a ação durante o inverno mostrou que sua próprias ofensivas agora funcionavam bem. Apesar da maioria esmagadora da Stavka, e notavelmente Gueorgui Jukov, aconselhar para que se esperasse para que os alemães se exaurissem em seu ataque primeiro, a opinião de Jukov não prevaleceu.

O atraso alemão em lançar sua ofensiva deu aos soviéticos quatro meses para se prepararem e a cada dia que passava eles tornavam a saliência em um dos pontos da terra mais pesadamente defendidos. O Exército Vermelho plantou mais de 400.000 minas terrestres e cavou cerca de 5.000 quilômetros de trincheiras, com posições tão retiradas quanto 175 km da linha de frente. Adicionalmente, eles juntaram um enorme exército deles mesmos, incluindo 1.300.000 homens, 3.600 tanques, 20.000 peças de artilharia e 2.400 aviões.

Os alemães tinham boas informações sobre os preparativos da defensiva soviética. Porque eles então não mudaram seu alvo, continua sendo um mistério.

Operação Cidadela

Mapa da batalha.

Foram quatro meses até que os alemães se sentissem prontos, neste tempo eles juntaram 200 dos novos tanques Panther, 90 destruidores de tanques Elefant e todos as aeronaves de ataque ao solo disponíveis Henschel Hs 129, como também um hospedeiro do Panzer VI, o último modelo Panzer IV e até alguns T-34/76 que haviam sido capturados. No total eles juntaram uns 2.700 tanques e armas de assalto, 1.800 aviões e 800.000 homens. Eles formaram a maior concentração de poder de luta alemã já conseguida. Mesmo assim, Hitler expressou dúvidas sobre sua adequação.

Combates preliminares começaram em 4 de julho de 1943. Naquela tarde, Junkers Ju 87 Stukas bombardearam um buraco de duas milhas de largura nas linhas de frente ao norte, em um período curto de 10 minutos e depois retornaram para casa enquanto a artilharia alemã se abriu para continuar a bater. Os ponta de lanças armados de Hermann Hoth, o III Corpo Panzer, avançaram depois para as posições soviéticas perto de Zavidovka. Ao mesmo tempo a Divisão Panzergrenadier Großdeutschland atacou Butovo sob chuva torrencial e a 11ª Divisão Panzer tomou o solo alto ao redor de Butovo. À oeste de Butovo os acontecimentos se provaram mais difíceis para a Großdeutschland e a 3ª Divisão Panzer, que se deparou a rígida resistência soviética e não assegurou seus objetivos até a meia noite.

No sul, o II Corpo Panzer SS lançou ataques preliminares para assegurar postos de observação e de novo encontrou uma resistência rígida, até que tropas de assalto equipadas com lança chamas limparam o bunker e os postos. As 22:30, os soviéticos contra atacaram com bombardeios de artilharia que, ajudados pela chuva torrencial, retardaram o avanço alemão. A esta altura, Jukov tinha recebido breves relatos informando sobre o início da ofensiva ganha sobre os alemães capturados: ele decidiu lançar um bombardeamento de artilharia preventiva nas posições alemãs.

A batalha verdadeira abriu o dia 5 de julho de 1943. Os soviéticos, agora cientes até mesmo da hora exata da ofensiva planejada pelos alemães, começaram um bombardeamento de artilharia massivo das linhas alemãs 10 minutos antes. Seguiu-se logo um ataque massivo feito pela VVS - Força Aérea Soviética sob as bases aéreas da Luftwaffe na área, em uma tentativa de virar a mesa da velha "armadilha" alemã de varrer o suporte aéreo local dentro da primeira hora da batalha. As primeiras horas se tornaram provavelmente a batalha aérea mais longa já travada. A Luftwaffe se defendeu com sucesso e perdeu muito pouco de seu poder de luta, mas de agora em diante os soviéticos a desafiaram fortemente.

Tropas soviéticas lutando em Kursk.

O 9º Exército Panzer no norte estava praticamente inapto para se mover. Dentro de apenas minutos de avanço a frente eles se viram encurralados nos grandes campos minados defensivos e precisaram unidades de engenharia para se erguer e se livrar deles sob fogo de artilharia. O exército de Walter Model tinha menos tanques que Manstein tinham no sul. Ele também se valeu de táticas diferentes, principalmente de uma formação clássica chamada PanzerKeil, permitindo usar somente algumas unidades de cada vez. Assim, poupando outras para usar mais tarde, ao passo que os alemães freqüentemente atacavam com tudo que tinham para maximizar o efeito. Eles podiam fazer isto por causa de seu treinamento superior de oficiais de baixa patente e soldados individuais. Entretanto, por alguma razão, Model não usou esta tática.

Após uma semana o Wehrmacht tinha se movido apenas 10 km para frente e no dia 12 os soviéticos lançaram seu braço norte contra o 2º Exército em Orel. O 9º Exército teve que se retirar, acabando com sua participação na ofensiva. A sua taxa de casualidades versus a do Exército Vermelho era de cerca de 5:3 em seu favor. Entretanto, ela caiu logo nos números usuais falhando em continuar com o fluxo interno regular de novos soldados e material para o Exército Vermelho.

Ao sul as coisas estavam de alguma forma melhor para os alemães. Os pontas de lanças armados do 4º Exército Panzer de Hoth forçaram seu caminho adiante e no dia 6 passaram uns 30 km além das linhas na pequena cidade de Prokhorovka. Considerando que eles tinham atacado sem o elemento surpresa contra um inimigo entrincheirado e numericamente superior, isto foi um feito bem marcante.

O Exército Vermelho foi forçado a dispor as tropas originalmente reservadas para a contra ofensiva. O flanco alemão, entretanto, ficou desprotegido uma vez que o 7º Exército de Guardas soviético parou as divisões Kempf, ajudado pela chuva forte, depois dos alemães terem cruzado o Rio Donets. O 5º Exército dos Guarda Tanques segurava posições ao leste de Prokhorovka e começou a preparar um contra ataque deles mesmos quando os II Corpo Panzer SS chegaram e uma luta intensa foi travada. Os soviéticos conseguiram deter a SS — mas somente um pouco. Pouco agora estava no caminho do 4º Exército Panzer e uma descoberta alemã parecia uma possibilidade real. Os soviéticos decidiram dispor o resto do 5o. Exército.

Tanques alemães Tiger I se preparando para a ofensiva.

No dia 12 de julho a Luftwaffe e unidades de artilharia bombardearam as posições soviéticas enquanto as divisões da SS se formavam. Tradicionalmente a descrição desta batalha é a seguinte: O avanço alemão começou e eles ficaram espantados ao ver massas de soviéticos armados avançando sobre eles. O que seguiu foi o maior embate de tanques jamais travado, com mais de 1.500 tanques em contato próximo. As forças aéreas de ambos os países sobrevoaram, mas elas não conseguiram ver nada através da poeira e da fumaça que saía de taques destruídos. No solo, os comandantes não conseguiram acompanhar os desenvolvimentos e a batalha rapidamente degenerou-se em um número imenso de ações de pequenas unidades confusas e amargas, freqüentemente cara a cara. A luta alastrou-se durante todo dia e ao entardecer os últimos tiros estavam sendo dados enquanto os dois lados saiam de combate. As perdas alemãs totalizaram em mais de 300 tanques com os soviéticos perdendo um número similar.

Os alemães destruíram a maioria dos tanques soviéticos em um embate longo e relativamente poucos se envolveram na troca de tiros curtos. As unidades alemãs na verdade incorreram em casualidades relativamente leves e na maior parte do dia eles lutaram em boa ordem. Os soviéticos perderam 322 tanques (mais da metade deles não podiam ir nem a reparo), tiveram mais de 1000 mortos além de 2.500 perdidos ou machucados. As perdas alemãs chegaram a menos que 20% disto. Os alemães, entretanto, tinham planejado atacar aquele dia e por causa do avanço do Exército Vermelho eles perderam seu ímpeto.

A batalha global (de Kursk) ainda pende na balança. As forças alemãs na asa sul, exaustas e pesadamente em atrito, não obstante enfrentaram igualmente defesas fracas e com excelente posição, estavam livres de trabalhos defensivos e não tinham nenhuma força entre eles e Kursk. Os generais alemães se tivessem tido forças de alívio prontas para apenas este momento, talvez tivessem conseguido ganhar a batalha.

Ataques soviéticos em flancos alemães

Militares russos combatendo em Kursk.

Em 11 de julho, as forças dos Estados Unidos, do Canadá e do Reino Unido aterrissaram na Sicília durante a Operação Husky. Hitler chamou Günther von Kluge e Von Manstein ao seu quartel general Wolfsschanze na Prússia Ocidental e declarou sua intenção de cancelar a Operação Cidadela. Von Manstein, furioso, argumentou que um esforço final poderia ganhar Kursk. Hitler não queria nada disto, particularmente quando os soviéticos lançaram suas contra ofensivas no norte.

A própria Operação Husky foi desencadeada em perfeita coordenação entre as força aliadas com o propósito de enfraquecer a ofensiva alemã pela necessidade de deslocamento de tropas para a Sicília. Algumas unidades alemãs imediatamente partiram para a Itália e somente ataques limitados continuaram no sul, para se livrarem de uma força soviética espremida entre dois exércitos alemães.

Contra-ofensiva Soviética

Apesar dos exércitos alemães permanecerem inconscientes da mudança nos planos de Hitler, os ataques alemães perto de Kursk obviamente diminuíram. Os soviéticos colocaram seus planos em ação. Em 15 de julho. os ataques em Orel abriram com a soltura do Fronte Central soviético inteiro. Os alemães se retiraram para a parcialmente preparada da linha de Hagen na base da saliência. As forças alemãs se transferiram do sul para o norte para ajudar a cobrir a retirada. Apesar da retirada das forças alemãs ter causado casualidades severas no Wehrmacht, esta ação marcou a primeira vez que os soviéticos haviam avançado no verão, drasticamente arrebentando o moral alemão.

Ao sul, o Exército Vermelho precisava de mais tempo para reagrupar-se após a severa derrota que eles tinham sofrido durante o mês de julho e não podiam abrir seu contra ataque até 3 de agosto. Ajudados pelos ataques divergentes mais ao sul, eles tomaram a cidade de Belgorod que havia sido conquistada a duras penas por von Manstein. Fogos de artifício em Moscou marcaram a tomada de Belgorod e Orel, uma celebração que daquela hora em diante se tornou uma instituição com a recaptura de cada cidade soviética. Em 11 de agosto, o Exército Vermelho conquistou Kharkov, uma cidade que Hitler havia jurado defender a todo custo. As unidades alemãs agora sofriam grandemente de fatiga, tendo lutado diariamente por várias semanas. Elas tinham escassez de força de trabalho e equipamentos. Em 20 de agosto todas as forças alemãs na área tiveram que se retirar.

Fim da Batalha

Um blindado soviético destruído durante a batalha.

Em 23 de Agosto, a exaustão extrema havia afetado ambos os lados e a luta (oficialmente) tendia a um fechamento. Os soviéticos sofreram perdas muito maiores que os alemães. Os alemães, entretanto tinham pela primeira vez perdido territórios substanciais durante o verão e fracassaram em atingir seus objetivos. Um fronte novo havia sido aberto na Itália, desviando sua atenção. Ambos os lados tiveram suas perdas, mas somente os soviéticos tinham a mão de obra e a produção industrial para se recobrar completamente, como também a ajuda substancial do empréstimo americano, incluindo jipes e caminhões que foram de ajuda significante durante a contra ofensiva em Kursk. Os alemães nunca ganharam de novo a iniciativa após Kursk.

Mais ainda, a perda convenceu Hitler da incompetência de seus Coordenadores Gerais. Quando lhe foi dada chance, seus generais selecionaram um plano pobre e ele decidiu se certificar que isto não iria acontecer de novo. O oposto se aplicava a Stalin, entretanto. Após ver a intuição de seus generais justificada no campo de batalha, ele se afastou do planejamento estratégico e o deixou inteiramente para os militares.

Resultados previsíveis seguiram em ambos os lados: o exército alemão foi de perda em perda assim que Hitler tentou pessoalmente micro gerenciar as operações do dia a dia do que logo se tornou uma guerra em três frontes, enquanto o exército soviético ganhava mais liberdade em se tornava mais e mais fluido a medida que a guerra continuava.

As perdas sofridas durante a batalha de Kursk variam de acordo com as fontes. A União Soviética clamava que os alemães tinham tido mais de 500 mil soldados mortos, feridos ou perdidos. Conclusões modernas estimam que 60 mil alemães morreram e outros 150 mil foram feridos. Os números das baixas oficiais soviéticas não se tornaram públicos até o colapso desta em 1991. Ela compreendia 80 mil mortes durante a batalha em si e outras 150 mil na ofensiva nos meses que se seguiu. Os feridos e perdidos do Exército Vermelho somavam cerca de 500 mil. A União Soviética também perdeu 50% de sua força de tanques durante toda a operação em Kursk.

Predefinição:Referências

Bibliografia

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  • Young, Peter Brigadeiro - Circulo do Livro, 1980 - Pag. 162 a 169

Referências externas

A Batalha do Somme

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A Batalha do Somme, também conhecida como Ofensiva do Somme, foi travada entre julho a novembro de 1916, sendo considerada uma das maiores batalhas da Primeira Guerra Mundial.

Tratou-se de uma ofensiva anglo-francesa, com o objetivo de romper as linhas de defesa alemãs, ao longo de 12 milhas (19 km), estacionadas na região do Rio Somme (França). As baixas foram elevadíssimas para ambos os lados, sobretudo para o Reino Unido, ainda mais pelo fato de o objetivo não ter sido atingido.

Em verdade, a Ofensiva do Somme foi concebida para ser uma manobra secundária, cujo objetivo era desafogar o peso das forças alemãs sobre Verdun, palco dos combates mais violentos até então. No entanto, a violência dos combates no rio Somme fez as perdas para ambos os lados ultrapassar as perdas de Verdun. A infantaria dos Aliados enfrentou um pesadelo de granadas, fogo de metralhadoras, arame farpado, lama, mas, em vinte dias de luta, não conseguiu avançar mais do que 8 km, porquanto os alemães encontravam-se em posição de vantagem no terreno, estrategicamente entrincheirados, quando se deu o ataque principal na frente norte do Rio Somme. Essa vantagem foi decisiva para o desfecho do confronto.

Se Verdun tornou-se um ícone que afetaria a consciência nacional da França, o Somme teria o mesmo efeito em gerações de cidadãos britânicos. A batalha é mais lembrada pelo seu primeiro dia, 1 de Julho de 1916, data em que os britânicos sofreram 57.470 baixas (19.240 mortos), considerado o mais sangrento dia na história do Exército britânico. Pela primeira vez, a sociedade britânica foi exposta aos horrores da guerra moderna, com o lançamento, em agosto, do filme A Batalha de Somme, que utilizava vídeos reais, a partir do primeiro dia da batalha.

Com mais de 1,2 milhão de vítimas (entre mortos e feridos), em cinco meses de combate, a luta no Somme foi uma das operações militares mais violentas da história da humanidade. E, levando-se em conta os ganhos territoriais (cerca de 300 quilômetros quadrados), foi, debativelmente, uma das mais inúteis. Nunca em toda a história militar tantos pereceram por tão pouco. A batalha também marcou a estreia dos tanques de guerra.

Antecedentes

A estratégia dos aliados para o ano de 1916 foi amplamente formulada durante uma conferência em Chantilly, realizada entre 6 e 8 dezembro de 1915. Foi decidido que ofensivas simultâneas seriam montadas pelos russos, no leste, os italianos (que haviam recentemente se unido à Entente), nos Alpes, e os anglo-franceses sobre a Frente Ocidental, comprimindo assim as potências centrais de todos os lados.

No final de dezembro de 1915, o general Douglas Haig substituiu o General Sir John French como Comandante-em-Chefe da Força Expedicionária Britânica (BEF).

Haig era favorável a uma ofensiva britânica na região do Flandres, uma vez que os inúmeros canais e portos da região poderiam favorecer o abastecimento das tropas. Sua ideia inicial era neutralizar os alemães a partir da costa do Mar do Norte, na Bélgica, local de onde os submarinos alemães partiam para afundar os navios que se dirigiam às Ilhas Britânicas.

Os preparativos da ofensiva

Plano de ataque aliado, 1 de julho de 1916.

Como os franceses se comprometeram, a qualquer custo, defender Verdun, a sua capacidade para desempenhar as suas funções no Somme desapareceram, e os encargos da ofensiva recaíram, portanto, sobre os britânicos. A França contribuiria com três corpos para a abertura do ataque (o I Exército Colonial, o XX e o XXXV Corpo do Exército).

Assim, o Conselho Interaliado julgou adequado aprazar a nova ofensiva para fins de junho.

A estratégia do ataque

O plano que finalmente surgiu podia ser dividido em três fases: primeiro, uma tremenda barragem de artilharia para matar os alemães e destruir suas trincheiras, posições fortificadas e obstáculos de arame farpado; segundo, o avanço e captura dessas posições pela infantaria; e terceiro, uma grande carga da cavalaria, que seguiria para o norte, atacando as posições alemãs remanescentes.

Apesar disso, Férran e o General Péti Henry Rawlinson, comandante do 4º Exército britânico, tinham consideráveis dúvidas a respeito da capacidade profissional dos soldados do novo exército. Tanto os generais alemães quanto os britânicos consideravam que tais tropas estavam insuficientemente treinadas, devido ao curto espaço de tempo decorrido. Rawlinson temia que as unidades se rompessem e se desorganizassem se corressem pelo terreno. Conseqüentemente, ele ordenou às suas tropas que marchassem para a frente em formação de parada. Essa decisão teria um efeito devastador no desenrolar da batalha.[8]

Haig teria ao todo 27 divisões (750 000 homens), 14 das quais apenas no assalto inicial. A participação francesa se limitaria a 5 divisões que iriam atacar ao sul. A ideia que prevalecia, desde o simples soldado aos oficiais do Estado Maior, era que a infantaria só teria que ocupar e colher o fruto maduro.

O bombardeio

Canhão de 8 polegadas abrindo fogo perto de Mametz.

Nos dias 25, 26, 27 e 28 de junho, o bombardeio continuou ininterruptamente e a chuva intensa contribuiu também para o atoleiro em que se tinha transformado o campo de batalha. Aqui e ali as trincheiras desabavam, bloqueando largos setores e soterrando as entradas de muitos abrigos. Ao fim desse período, alguns setores da linha da frente estavam já irreconhecíveis, transformados em autêntica paisagem lunar.

Desde o dia 26, densas nuvens de cloro pairando sobre a terra de ninguém foram avistadas pelas sentinelas alemãs, deslocando-se na direção de Serre, Beaumont e Fricourt. O gás, mais denso que o ar, descia por todos os buracos, como uma coisa viva e infiltrava-se em todas as aberturas.

Na ocasião, os ingleses lançaram mão os torpedos aéreos (obus).

O fatídico 1º de Julho de 1916

A corrida para o parapeito no início da ofensiva. 1 de julho de 1916.

Na maior parte das Divisões foi servida uma refeição quente que contribuiu para reconfortar as tropas depois da friagem da noite. Por volta das 06h30 da madrugada eclodiu um bombardeio sem paralelo contra toda a frente, desde o norte do Ancre até ao sul do rio Somme. Na hora seguinte "parecia que todos os fogos do inferno tinham sido lançados para nos destruir".[9] segundo a descrição de um soldado alemão. Às 7 horas algumas metralhadoras alemãs começaram a bater os parapeitos das trincheiras aliadas.

Uma massa de homens, cavalos e equipamentos em direção a Mailley-Maillet.

As sentinelas alemãs, espreitando pelos periscópios, puderam então ver uma massa de capacetes a crescer nas trincheiras aliadas. A batalha estava prestes a começar. E o seu primeiro ato seria a "corrida pelo parapeito", um desafio mortal que para os aliados começaria na sua linha de trincheiras e acabaria no outro lado da terra de ninguém. Para os alemães começaria no fundo dos abrigos e terminaria no topo dos degraus desses mesmos abrigos. Quem perdesse a corrida provavelmente morreria. Toda a infernal preparação de artilharia dos últimos sete dias visava, em última instância, impedir os alemães de ganhar a corrida.

O aparente otimismo logo seria substituído pela amarga desilusão. Poucos segundos depois foram recebidos por mortíferos fogos de metralhadora e, de um modo geral, aqueles poucos que conseguiram chegar às trincheiras alemãs, deparavam com grandes extensões de arame farpado ainda intacto e nele se emaranhavam perdendo o ímpeto, sendo logo a seguir ceifados pelos fogos das metralhadoras ou queimados pelos lança-chamas.

Os alemães contavam com 6000 baixas entre mortos e feridos, de um total de 35 000 que guarneciam a frente.

O General Sir Douglas Haig, após o fracasso da ofensiva do dia anterior, resolveu abdicar de qualquer tentativa de surpresa e viu-se forçado a concentrar o fogo de artilharia em pequenos setores da trincheira que a infantaria ocuparia a seguir. Contudo os alemães rapidamente perceberam que teriam mais hipóteses de sobrevivência caso se abrigassem em crateras e buracos devidamente cobertos, em vez das trincheiras, nas quais se concentravam os fogos inimigos. Assim, quando os aliados avançavam eram logo colhidos por intensos e flanqueantes fogos de metralhadora e espingarda, oriundos dos locais mais diversos.

A batalha continua

Regimento Cheshire entocado em um trincheira perto de La Boiselle.

No dia seguinte, um grande ataque logrou penetrar a 2ª linha alemã entre Ginchy e Contalmaison e, novamente, a cavalaria explorou em direcção a High Wood, mas os alemães contra-atacaram com êxito, e a frente ficou consolidada ao longo da linha Ovillers-Contalmaison-Hardecourt-Barleux-Berny-Lihons.

A 15 de julho, a Brigada Sul-Africana entrou na luta, atacando através do bosque de Delville. A brigada acabou dizimada numa luta particularmente selvagem que se estendeu até o fim do mês.

Os ataques ingleses e franceses sucederam-se de 15 a 17 de julho, tentando forçar as linhas na direção de Bapaume e Peronne. As perdas formam enormes uma vez que o emprego massivo e sistemático da artilharia precedendo cada nova ofensiva impedia qualquer exploração do efeito surpresa, apanhando sempre os alemães devidamente preparados. Em 16 de julho, começou a luta por Pozières. A aldeia foi investida novamente nos dias 22 e 25 de julho, sempre sem sucesso

No lado alemão, a 17 de julho, a frente do Somme foi dividida em duas e o setor norte desde o Somme até Monchy-au-Bois (cerca de 30 km) foi atribuído ao recém-formado 1º Exército, para onde transitou quase todo o QG do 2º Exército. O 2º Exército ficou com o sector sul.

No dia 19, a defesa alemã foi reorganizada, com a ala meridional formando um novo exército, o 1º, sob o general Max von Gallwitz. A batalha orientava-se agora em 3 direções: a NE em direção a Bapaume, a leste para a Peronne, e a Sudeste, em direção a Nelles. A 20 de julho foi lançada uma nova ofensiva aliada combinada, que obteve poucos ganhos e viria a parar 5 dias mais tarde.

As tropas ANZAC

As tropas neozelandesas sofreram 8 mil baixas em seis semanas - perto de 1% da população do país à época. Para se ter uma ideia da violência dos combates, essas perdas foram equivalentes às perdas sofridas nos oito meses em que os neozelandeses lutaram na Batalha de Gallipoli.

Os combates de setembro e a estreia do tanque de guerra

Progresso da Batalha do Somme - julho/novembro de 1916.

No fim de agosto o ritmo da ofensiva foi bastante reduzido pelo mau tempo. De qualquer modo, ao entrar setembro, as trincheiras alemãs haviam recuado o máximo de 8 km, no setor de Flaucourt, atribuído ao I Corpo Colonial, do 6º Exército Francês e encontravam-se agora sobre a linha Barleux-Villers-Carbonnel-Reugny. Do lado Alemão, Hindenburg havia sucedido a Falkenhayn em 29 de agosto.

De 3 a 14 de Setembro os Aliados desencadearam duas ofensivas que levaram a batalha a Barleux e Bouchavesnes, sendo esta última capturada.

Um tanque Mark I, setembro 1916.

A 20 de Setembro os alemães contra-atacaram em Bouchavesnes, mas foram repelidos e a 26 os ingleses entraram em Combles, um formidável reduto fortificado em cujos subterrâneos foram encontrados mais de 2000 cadáveres alemães.

Os ingleses haviam abandonado a ofensiva, e essa data - 17 de Novembro – se convencionou como o fim da 1ª Batalha do Somme.

Conclusões

Do lado inglês, as baixas do Somme, tiveram um efeito a longo prazo sobre a mentalidade dos britânicos, que perceberam, aturdidos, que a guerra que sempre tinham visto ao longe, podia ameaçar de morte todos os seus filhos.

Mais tarde, já durante a 2ª Guerra Mundial, numa ocasião em que o General Marshall se encontrava em Inglaterra apresentando lógicos e convincentes argumentos a favor de uma invasão imediata do continente, Lord Cherwell retorquiu-lhe: "não vale a pena, o senhor está a argumentar contra as baixas do Somme".[10]

O futuro ditador alemão, Adolf Hitler, na época soldado da 6ª Divisão Bávara da reserva, lutou na Batalha do Somme e foi ferido com um tiro na perna em 7 de outubro de 1916.[11]

Para a maioria dos analistas, o avanço aliado de 9,7 km não justificou, nem de longe, as enormes perdas sofridas. Assim, a batalha que seria o ponto de virada da guerra em favor dos anglo-franceses acabou terminando em um impasse estratégico. Os alemães também sofreram muito. Ao fim de 1916, o general Erich von Falkenhayn foi substituído por Paul von Hindenburg e Erich Ludendorff no comando do exército imperial alemão.[12]

Referências bibliográficas

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Ofensiva dos Cem Dias

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A Ofensiva dos Cem Dias foi o período final da Primeira Guerra Mundial, em que os Aliados lançaram uma série de ofensivas contra os Impérios Centrais na Frente Ocidental, de 8 de agosto de 1918 a 11 de novembro de 1918. A ofensiva forçou os exércitos alemães a recuarem para trás da Linha Hindenburg culminando no Armistício de Compiègne. A Ofensiva dos Cem dias não se refere a uma batalha ou estratégia em particular, mas sim a conjunto de acções Aliadas bem-sucedidas que tiveram início com a Batalha de Amiens e até ao fim com a Grande Ofensiva.

Antecedentes

As Ofensivas Alemãs da Primavera na Frente Ocidental que tiveram início em 21 de Março de 1918 com a Operação Michael, terminaram em Julho. Os alemães avançaram até ao rio Marne mas ficaram por aí. Quando a Operação Marne-Rheims terminou em Julho, o comandante supremo Aliado, o francês Ferdinand Foch, deu ordem para uma contra-ofensiva, designada por Segunda Batalha do Marne. Os alemães, reconhecendo a sua difícil e insustentável posição, retiraram-se do Marne para norte; por esta vitória, Foch foi promovido a Marechal de França.

Foch considerava que tinha chegado o tempo dos Aliados voltar ao ataque. Os americanos estavam agora presentes em França em largo número, e a sua presença dava força e motivação aos exércitos Aliados.[13]Predefinição:Rp O seu comandante, General John J. Pershing, fazia questão de usar o seu exército de forma independente. O Exército Britânico também tinha recebido um grande número de reforços que tinham regressado das campanhas na Palestina e em Itália, e muitos substitutos retidos no Reino Unido pelo Primeiro-ministro David Lloyd George.[13]Predefinição:Rp

Foram tidas em conta várias propostas e, por fim, Focj concordou com uma do Marechal-de-Campo Douglas Haig, o comandante da Força Expedicionária Britânica (FEB), que pretendia atacar no Somme, a leste de Amiens e a sudoeste do campo de batalha da Batalha do Somme (1916), com o objectivo de forçar os alemães a afastarem-se da vital linha de caminho-de-ferro Amiens-Paris.[13]Predefinição:Rp a zona do Somme foi escolhida por se mostrar um local adequado à ofensiva por várias razões. Tal como em 1916, o sector marcava a fronteira entre a FEB e as forças francesas, separadas pela estrada Amiens-Roye, permitindo que as duas forças cooperassem. Também a zona rural de Picardy tinha terrenos firmes para a movimentação de tanques, o que não acontecia na região da Flanders. Finalmente, as defesas alemãs, em particular o 2.º Exército Alemão liderado pelo General Georg von der Marwitz, eram relativamente fracas, tendo sofrido ataques contínuos pelos australianos num processo designado por penetração pacífica.

Primeiras batalhas

Amiens

A Batalha de Amiens, (em que o ataque francês ao flanco sul ficou conhecido como Batalha de Montdidier), teve início a 8 de Agosto de 1918, com um ataque de mais de 10 Divisões Aliadas — australianas, canadianas, britânicas e francesas — e mais de 500 tanques.[13]Predefinição:Rp Depois de uma cuidada preparação, os Aliados conseguiram efectuar o ataque em total surpresa para os alemães.[14]Predefinição:Rp[15] O ataque, liderado pelos Corpos Asutralianao e Canadiano do 4.º Exército Britânico, destruíram as linhas alemãs, com os tanques a atacar a retaguarda das posições alemãs, espalhando o pânico e a confusão. No final do primeiro dia, os Aliados avançaram 24 km pelas linhas do inimigo a sul do Somme.[16] Os Aliados fizeram 17 000 prisioneiros e capturaram 330 armas. As vítimas dos alemães foram estimadas em 30 000 no dia 8 de Agosto, enquanto as dos Aliados terão sido de 6 500 homens mortos, feridos e desaparecidos. O colapso da moral dos alemães levou Erich Ludendorff a caracterizar este dia como "o dia mais negro do Exército Alemão ".[14]Predefinição:Rp

O avanço continuou por mais três dias sem, no entanto, os resultados espectaculares do primeiro dia, pois a rapidez do primeiro dia ultrapassou o apoio da artilharia e diminuiu em muito os mantimentos.[17] Durante aqueles três dias, os Aliados, avançaram 19 km, a grande maioria no primeiro dia, devido aos reforços alemães.[18] A 10 de Agosto, os alemães começaram a sair do saliente que tinham ocupado durante a Operação Michael, em Março, regressando para a Linha Hindenburg.[19]

Somme

A 15 de Agosto de 1918, Foch pediu que Haig continuasse a ofensiva de Amiens, mesmo com as crescentes dificuldades da falta de provisões e artilharia, e com a movimentação de tropas alemãs para aquele sector. Haig recusou e, preparou-se para iniciar uma nova ofensiva com o 3.º Exército Britânico em Albert (Batalha de Albert), que teve início em 21 de Agosto.[13]Predefinição:Rp

1 de Setembro de 1918, Péronne (Somme). Um posto armado com metralhadora, estabelecido pelo 54.ª Batalhão australiano durante o ataque às forças alemãs na cidade.

A ofensiva foi um sucesso, forçando o 2.º Exército Alemão a recuar 55 km. Albert foi capturada a 22 de Agosto.[20] O ataque foi alargado a sul pelo 10.º Exército Francês dando início à Segunda Batalha de Noyon, a 17 de Agosto; a cidade de Noyon foi capturada a 29 de Agosto.[20] A 26 de Agosto, a norte do ataque inicial, o 1.º Exército Britânico alargou a frente do ataque mais 11 km durante a Segunda Batalha de Arras. Bapaume caiu a 29 de Agosto, na Segunda Batalha de Bapaume).

Avanço até à Linha Hindenburg

Com a queda da linha da frente, ocorreram diversas batalhas à medida que os Aliados forçavam os alemães a recuar para a Linha Hindenburg.

A este de Amiens (depois da batalha que aí teve lugar), com o avanço da artilharia e o reforço das munições, o 4.º Exército Britânico também avançou, com o Corpo Australiano a atravessar o rio Somme na noite de 31 de Agosto, derrubando as linhas alemãs durante a Batalha do Monte Saint-Quentin.[21] A 26 de Agosto, a norte do Somme, o 1.º Exército Britânico abriu a sua frente de ataque numa extensão de 11 km durante a Segunda Batalha de Arras, a qual incluiu a Batalha de Scarpe (1918) (26 de Agosto) e a de Drocourt-Queant (2 de Setembro).[22]

A sul da FEB, o 1.º Exército Francês aproximou-se da Linha Hindenburg nos arredores de Saint Quentin no decorrer da Batalha de Savy-Dallon (10 de Setembro),[23]Predefinição:Rp e o 10.º Exército Francês avançou até à Linha Hindenburg junto de Laon, durante a Batalha de Vauxaillon (14 de Setembro).[23]Predefinição:Rp O 4.º Exército Britânico aproximou-se da Linha ao longo do Canal de St Quentin na Batalha de Épehy (18 de Setembro).

No dia 2 de Setembro, os alemães foram obrigados a recuar até à Linha, de onde tinham lançado a sua ofensiva na Primavera.

Batalhas da Linha de Hindenburg

A introdução de milhares de tanques ao longo da frente de batalha foi uma inovação fundamental que os aliados desenvolveram durante quase 2 anos, a fim de vencer o impasse da guerra de trincheiras na frente ocidental, e para a qual os alemães não se prepararam devidamente. Na foto, um tanque francês Renault FT ultrapassa uma trincheira.

As principais defesas alemãs estavam posicionadas na Linha de Hindenburg, um conjunto de fortificações defensivas desde Cerny, no rio Aisne, até Arras.[24] Antes da principal ofensiva de Foch ter início, os salientes a oeste e a este da Linha foram destruídos em Havrincourt e St. Mihiel, a 12 de Setembro; e em Epehy e Canal du Nord em 27 de Setembro.[14]Predefinição:Rp

O primeiro ataque da "Grande Ofensiva" de Foch foi lançado a 26 de Setembro pelos franceses e pela Força Expedicionária Americana na Ofensiva Meuse-Argonne — esta ofensiva inclui as batalhas de Somme-Py (26 de Setembro), Saint-Thierry (30 de Setembro), Montfaucon (6 de Outubro) e Chesne (1 de Novembro). A ofensiva foi efectuada em terreno difícil, levando a que a Linha de Hidenburgo só fosse quebrada no dia 17 de Outubro.

Dois dias mais tarde, o Grupo do Exército comandado por Alberto I da Bélgica (o Exército Belga, o 2.º Exército britânico, liderado pelo General Herbert Plumer e o 6.º Exército francês, sob o comando do General Degoutte) lançaram um ataque perto de Ypres, na Flanders (a Quinta Batalha de Ypres). Os ataques foram bem-sucedidos, no início, mas começaram a ter problemas devido à questões logísticas.

A 29 de Setembro, o ataque ao centro da Linha Hindenburg começou, com o 4.º Exército britânico, liderado pelo Corpo Australiano, a atacar o Canal de St. Quentin (Batalha do Canal de St. Quentin) e o 1.º Exército francês a atacar as fortificações fora de St. Quentin (Batalha de St. Quentin). A 5 de Outubro, os Aliados entraram nas defesas de Hindenburg numa frente de 31 km.[23]Predefinição:Rp Rawlinson registou, "Se os Boches nãos tivessem mostrado sinais de degradação durante o mês passado, nunca teria pensado em atacar a Linha Hindenburg. Se tivesse sido defendida pelas mesmas tropas alemãs de há dois anos, com certeza que teria sido impossível ultrapassá-las …"

Subsequentemente, a 8 de Outubro, o 1.º e o 3.º Exércitos britânicos, comandados pelo Corpo canadiano, penetraram na Linha Hindenburg na Batalha de Cambrai.[25]

Todos estes ataques à Linha forçaram o Alto Comando alemão a aceitar que a guerra tinha que terminar. A queda da moral dos alemães também convenceu os comandantes Aliados, e muitos líderes políticos, de que a guerra podia terminar em 1918; anteriormente, todos os esforços se tinham concentrado no planeamento de um grande ataque para 1919.

Para além da Linha de Hindenburg

Durante o mês de Outubro, os exércitos alemães retiraram-se dos territórios conquistados em 1914. Os Aliados pressionaram a retirada dos alemães até à linha paralela ao caminho-de-ferro de Metz a Bruges, que lhes tinha servido para abastecer toda a frente na região Norte da França e da Bélgica durante grande parte da guerra. À medida que os exércitos Aliados se iam aproximando da linha, os alemães eram forçados a abandonar grandes quantidades de equipamento pesado e de provisões, reduzindo ainda mais a sua moral e capacidade de resistência..[26]

Tropas canadianas abrigadas numa vala ao longo da estrada de Arras-Cambrai.

As baixas foram elevadas tanto do lado Aliado como do lado do exército alemão em retirada. Atrás da Linha Hidenburg tiveram lugar algumas batalhas como a Batalha de Selle (9 de Outubro), Batalha de Courtrai (14 de Outubro), Batalha de Mont-D’Origny (15 de Outubro), Batalha de Selle (17 de Outubro), Batalha do Lys e Escaut (20 de Outubro), Batalha do Serre (20 de Outubro),'Batalha de Valenciennes (1 de Novembro) e Batalha do Sambre (incluindo a Segunda Batalha de Guise (4 de Novembro) e a Batalha de Thiérache (4 de Novembro), com os combates a continuarem até aos últimos minutos antes da hora marcada no Armistício, 11:00h de 11 de Novembro de 1918. Um dos últimos soldados a morrer foi o soldado canadiano George Lawrence Price, dois minutos antes da hora do final da guerra.[27]


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A Batalha de Brody

Caminho da 11.ª Divisão Panzer durante a Batalha de Brody.

Batalha de Brody (também conhecida como Batalha de Dubna, Batalha de Dubno, Batalha de Rovne, Batalha de Rovne-Brody ou Batalha de Lutsk-Brody-Rovno) foi uma batalha de tanques entre o 1.º Grupo Panzer do III Corpo de Exército Alemão e o XXXXVIII Corpo Panzer e cinco corpos mecanizados do 5º e 6º Exército Soviético no triângulo formado pelas cidades Dubno, Lutsk e Brody entre 23 e 30 de junho de 1941. É conhecido na historiografia soviética como parte das "batalhas defensivas da fronteira". Embora as formações do Exército Vermelho tenham sofrido grandes perdas nas forças alemãs, foram superadas e sofreram enormes prejuízos nos tanques. A má logística soviética, a supremacia aérea alemã, bem como uma queda total no comando e no controle do Exército Vermelho garantiram a vitória da Wehrmacht, apesar da enorme superioridade numérica e tecnológica do Exército Vermelho.

Este foi um dos embates entre blindados mais intensos na fase de abertura da Operação Barbarossa e a considerado a maior batalha de tanques da Segunda Guerra Mundial, superando a mais famosa Batalha de Prokhorovka.[28]


A Batalha de Cambrai

A Batalha de Cambrai ou, na sua forma portuguesa, de Cambraia (20 de Novembro – 7 de Dezembro de 1917) foi uma campanha britânica da Primeira Guerra Mundial. Cambrai, no Nord département (Nord-Pas-de-Calais), era um local de abastecimento essencial para a Siegfried Stellung (uma posição alemã parte da Linha Hindenburg), e a proximidade do cume de Bourlon seria uma excelente conquista a partir da qual os britânicos poderiam ameaçar a retaguarda da linha alemã a norte. A operação iria incluir uma acção experimental de artilharia. O Major-General Tudor, Comandante da Real Artilharia da 9.ª Divisão Escocesa, sugeriu a utilização de novas técnicas de artilharia e infantaria neste sector da frente. Durante os preparativos, J. F. C. Fuller, ofical do Royal Tank Corps (RTC), procurava um local para utilizar tanques como unidade de ataque. O General Julian Byng, comandante do 3.º Exército Britânico, decidiu incorporá-los no grupo de ataque.

Esta batalha, é por vezes, apontada como a primeira a usar os tanques em massa em conjunto com outros ramos das forças armadas. Contudo, os franceses já tinham utilizado estes veículos em Abril (mais de 130), Maio (48) e Outubro (92) de 1917, e os britânicos mais de 200 na Flandres em Junho e Julho. Apesar do sucesso inicial do tanque Mark IV em Cambrai, a artilharia e a infantaria de defesa alemãs, revelaram as fragilidades dos blindados, e os veículos acabaram por ir ficando inoperacionais depois do primeiro dia. A batalha foi, essencialmente, um combate entre artilharia e infantaria que causou surpresa e superioridade técnica contra fortes fortificações, mas fraca artilharia e infantaria alemãs, que foram rapidamente. O ataque britânico demonstrou que a Linha Hindenburg podia ser ultrapassada e mostrou o valor dos novos métodos de artilharia e infantaria, como a detecção das forças inimigas pela análise do som dos disparos e tácticas de infiltração, que mais tarde teriam um papel vital durante a Ofensiva dos Cem Dias.

A percepção popular que esta tinha sido uma batalha com tanques foi, em grande parte, o resultado de várias descrições feitas por historiadores influentes como Basil Liddell Hart e Fuller. Liddell Hart, cuja situação como correspondente militar dos jornais Daily Telegraph e The Times (1925–1939) lhe deu uma grande influência junto do público, era um crítico de Douglas Haig e tentou usar esta batalha para indicar que tinha havido a utilização de uma "nova" forma de doutrina.[29] Vários estudos actuais rejeitaram as suas versões dos acontecimentos, e preferiram uma aproximação à História Ofical Britânica.[30]

Prelúdio

Plano Britânico

O plano britânico foi idealizado por Henry Hugh Tudor, comandante da artilharia da 9.ª Divisão de Infantaria Escocesa. Em Agosto de 1917, concebeu a ideia de um ataque surpresa com o IV Corpo no sector que esta unidade ocupava. Tudor sugeriu um primeiro ataque com artilharia e infantaria, apoiado por um pequeno número de tanques, para controlar a ruptura da Linha Hindenburg alemã. As defesas alemãs estavam bem estabelecidas; Cambrai, como região tranquila que tinha sido, permitiu que os alemães aí fortificassem as suas linhas à vontade, e os britânicos sabiam desta situação. O plano de previa testar novos métodos combinando técnicas de artilharia e infantaria, e verificando quão eficazes eram contra as fortes fortificações alemãs. Tudor defendia a utilização da nova forma de calcular a distância do inimigo pelo som dos seus disparo por forma a atingir surpresa nos seus ataques. Tudor também requeria a utilização de tanques para destruir e ultrapassar as defesas de arame farpado, ao mesmo tempo que apoiava aquela força com a espoleta Nº 106, concebido para explodir munições altamente explosivas que não abrissem grandes crateras no terreno.[31]

A batalha

Ataque britânico

A batalha começou ao amanhecer, por volta das 6:00h, do dia 20 de Novembro, com o fogo de barragem, cuidadosamente preparado, de 1 003 peças de artilharia sobre as defesas alemãs, seguido do lançamento de fumo e de mais fogo de barragem a 270 m para cobrir os primeiros avanços. Apesar dos esforços para guardar segredo, os alemães tinham informação suficiente para estar com um nível de alerta moderado: tinham previsto o ataque a Havrincourt, tal como a utilização de tanques.

A força atacante era composta por seis divisões de infantaria do III Corpo britânico (liderado pelo Tenente-General Pulteney), no flanco direito, e o IV Corpo britânico (comandado pelo Tenente-General Woollcombe), no lado esquerdo, apoiados por nove batalhões do Corpo de Tanques com cerca de 437 tanques. De reserva estava uma divisão de infantaria no IV Corpo, e três divisões do Corpo de Cavalaria (sob o comando do Tenente-General Kavanagh).

Tanque britânico destruído, 29 de Novembro de 1917.

De início, o sucesso foi considerável na maioria das áreas e aparentava que uma vitória britânica estava ao seu alcance; a Linha Hindenburg foi quebrada com avanços até 8 km. Do lado direito, a 12.ª Divisão britânica de leste avançou até à floresta de Lateau antes de ser dada ordem de cavar trincheiras. A 20.ª Divisão Ligeira forçou um caminho até La Vacquerie, prosseguindo até uma ponte sobre o Canal de Saint-Quentin, em Masnières. A ponte ruiu sob o peso dos tanques que a atravessaram,[32] bloqueando aí o avanço. Ao centro, estava a 6.ª Divisão britânica que capturou Ribécourt e Marcoing, mas, quando a cavalaria avançou mais tarde, receberam forte oposição e saíram de Noyelles.

Na frente do IV Corpo, a 51.ª Divisão das Terras Altas, ficou num impasse em Flesquières, o seu primeiro objectivo, levando a que as divisões atacantes, em cada flanco, ficassem expostas ao fogo inimigo. A excessiva distância entre os tanques e a artilharia, contribuíram para o falhanço. Flesquières era também uma das posições mais fortes na linha alemã, e era flanqueada por outras posições, igualmente fortes. Os seus defensores, sob o comando do Major Krebs, também absolveram-se bem contra os tanques, quase quarenta ser nocauteado pela artilharia de Flesquières. Alguns relatos referem que cinco terão sido destruídos por um único oficial de artilharia, Theodor Krüger do Batterie Feld Artillerie Regiment 108. O despacho do Marechal-de-Campo, Haig louvou a bravura do artilheiro, no seu diário.[33] Não existem muitos indícios para os actos de Krüger, embora seja possível que ele tenha sido responsável pela destruição de nove tanques. Dos 28 tanques perdidos no ataque, eles terão sido deixados fora de combate devido à artilharia alemã e a vários incidentes. É possível que Haig tenha exagerado no seu relato para encobrir o falhanço da cooperação entre algumas forças e a infantaria, pois ele tinha dado ordens para o ataque sem apoio à infantaria. De futuro, acabou por concluir que as escaramuças da infantaria eram necessárias para que as equipas de artilharia pudessem avançar e permitir que os tanques operassem.[34] A explicação habitual do "mítico" oficial alemão ignorava o facto de os tanques britânicos estarem de frente para a 54.ª Divisão alemã, um das poucas divisões com treino especializado em tácticas anti-tanque e com experiência contra os tanques franceses na Ofensiva Nivelle.[35] Apesar disto, os alemães foram forçados a abandonar Flesquières durante a noite.

A oeste de Flesquières, a 62.ª Divisão britânica avançaram através de Havrincourt e Graincourt até à floresta de Bourlon e, do lado esquerdo britânico, a 36.ª Divisão alcançou a estrada de Bapaume-Cambrai road.

Dos tanques, 180 ficaram fora de acção depois do primeiro dia, embora apenas 65 tenham ficado destruídos. Das outras baixas, 71 tiveram problemas mecânicos e 43 ficaram atolados. Os britânicos tiveram cerca de 4 000 baixas e fizeram 4 200 prisioneiros, uma taxa de baixas metade daquela sofrida na Batalha de Passchendaele, e um avanço muito considerável em seis horas face aos três meses da sua presença naquele sector.

Os britânicos não conseguiram chegar ao cume Bourlon. O comando alemão enviou reforços de um dia para o outro e beneficiou do facto de os britânicos não terem conseguido explorar as suas anteriores conquistas. Quando a batalha recomeçou no dia 21, o avanço britânico tornou-se mais lento. Flesquières, que já tinha sido abandonada, e Cantaing, foram capturadas logo pela manhã mas, de um modo geral, os britânicos preferiram consolidar as suas posições ao invés de se expandirem. Os esforços do III Corpo foram oficialmente interrompidos e a atenção passou agora para o IV Corpo.

O esforço concentrou-se no cume de Bourlon. O combate foi duro neste sector e em Anneux, em particular. Os contra-ataques alemães esmagaram os britânicos em Moeuvres, no dia 21, e em Fontaine, a 22. Mesmo quando Anneux foi conquistada, a 62.ª Divisão sentiu-se incapaz de entrar nos bosques de Bourlon. Os britânicos ficaram expostos num saliente. Haig continuava a querer controlar o cume de Bourlon, e a exausta 62.ª Divisão foi substituída pela 40.ª Divisão, comandada por John Ponsonby, no dia 23. Apoiada por quase 100 tanques e 430 canhões, a 40.ª Divisão atacou na floresta do cume de Bourlon, na manhã de 23. O progresso foi pequeno. Os alemães tinham duas divisões de Gruppe Arras no cume, com outras duas de reserva. A 40.ª Divisão britânica alcançou o topo do cume mas foi bloqueada sofrendo 4 000 baixas em três dias.

As tropas britânicas foram forçadas a avançar para lá da floresta mas as reservas britânicas foram rapidamente esgotadas e os reforços alemães estavam a chegar. O último esforço dos britânicos deu-se no dia 27 pela 62.ª Divisão com a ajuda de 30 tanques. O sucesso inicial foi depressa anulado pela contra-ofensiva alemã. Agora, os britânicos controlavam um saliente de cerca de 11 km por 9,5 km com a sua frente ao longo do topo do cume. No dia 28, a ofensiva parou e as forças britânicas receberam ordens de instalar arame farpado e escavar trincheiras. Os alemães, por seu lado, foram rápidos a concentrar a sua artilharia nas novas posições britânicas.

Contra-ataque alemão

Contra-ataque alemão.

Quando os britânicos tomaram o cume, os alemães reforçaram a área. No dia 23, o comando alemão sentiu que um ataque em força dos britânicos não iria ocorrer e pensou numa contra-ofensiva. Vinte divisões foram mobilizadas para a área de Cambrai. Os alemães queriam tomar, de novo, o saliente de Bourlon e atacar a zona próxima de Havrincourt, enquanto seriam efectuados ataques para ocupar as tropas do IV Corpo; era esperado, pelo menos, chegar até às antigas posições na Linha Hindenburg. Os alemães pretendiam pôr em prática novas tácticas de bombardeamento rápido e intenso seguido de um assalto rápido utilizando as tácticas de infiltração de Oskar von Hutier, atacando com grupos e não em grandes ondas e ultrapassando a forte oposição. Para o ataque inicial a Bourlon foram escolhidas três divisões de Gruppe Arras lideradas por Otto von Moser. No flanco leste do saliente dos britânicos, o Gruppe Caudry atacava a partir de Bantouzelle até Rumilly, e continuava até Marcoing. O Gruppe Busigny avançava de Banteux. Estes dois grupos tinham sete divisões de infantaria.

O tenente-general Thomas D'Oyly Snow, comandante do VII Corpo britânico, a sul da área ameaçada, alertou sobre as preparações do III Corpo alemão.

Tanque britânico capturado em Cambrai.

O ataque alemão começou às 7:00h do dia 30 de Novembro; quase de seguida, a maioria das divisões do III Corpo já estavam em combate. O avanço da infantaria alemã foi, inesperadamente, rápido. Os comandantes das 29.ª e 12.ª Divisões escaparam por pouco a serem capturados; o brigadeiro-general Vincent teve que combater para sair do seu quartel-general após o que juntou alguns homens de unidades que recuavam para tentar parar os alemães. A sul, o avanço alemão estendeu-se por 13 km e ficou a poucos quilómetros da importante vila de Metz e da sua via de ligação para Bourlon.

Em Bourlon, os homens liderados por Moser encontraram uma forte resistência. Os britânicos tinham mobilizado oito divisões para apoio ao ataque ao cume e os alemães acabaram por sofrer pesadas baixas. Apesar disto, os alemães conseguiram fechar a sua defesa e os combates foram duros. As unidades britânicas mostraram determinação; um grupo de oito metralhadoras britânicas disparou mais de 70 000 balas no seu esforço parar o avanço alemão.

A concentração de esforços por parte dos britânicos para controlar o cume foi impressionante mas permitia o avanço alemão noutro local. Apenas os contra-ataques da Divisão de Guardas, a chegada de tanques britânicos e o anoitecer permitiram que a linha pemanecesse controlada. No dia seguinte, a força do avanço alemão decresceu, mas a pressão a 3 de Dezembro levou os alemães a capturar La Vacquerie e a forçar uma retirada britânica do canal de Saint-Quentin. Os alemães tinham chegado a uma linha curva desde o cume em Quentin até perto de Marcoing. A sua captura do cume de Bonvais fragilizou o controlo que os britânicos tinham sobre Bourlon.

Depois da batalha

Marwitz (à direita) e o Kaiser a caminho de uma visita às tropas perto de Cambrai em Dezembro de 1917.
As linhas da frente antes e depois da batalha.

A 3 de Dezembro, Haig deu ordem de retirada do saliente e, a 7 de Dezembro, as posições conquistadas pelos britânicos foram abandonadas à excepção de uma área da Linha Hindenburg em redor de Havrincourt, Ribécourt e Flesquières. Os alemães tinham trocado esta região por terras a sul do cume Welsh.

As baixas situaram-se em cerca de 45 000 para cada lado, com 11 000 prisioneiros alemães e 9 000 britânicos. Em termos de área controlada, os alemães recuperaram a maior parte das suas perdas e ainda ganharam um pouco mais, embora, no geral, tenham perdido terreno. A batalha mostrou aos britânicos que até as trincheiras mais fortes podiam ser derrubadas por um ataque surpresa combinando artilharia e infantaria usando os métodos e equipamentos mais recentes, com um ataque de tanques em massa; também os alemães ficaram a saber da eficácia das tácticas dos Stosstruppen, adaptadas pelo general Hutier contra os russo. Toda esta aprendizagem foi mais tarde implementada, com sucesso, por ambos os lados. A reviravolta dos alemães após o ataque britânico aumentou o moral, mas o risco potencial de mais ataques como este significava que os alemães tinham que alocar recursos para a defesa contra os tanques e outro armamento.

"Onde o terreno for propício à movimentação de tanques, ataques surpresa como estes serão esperados. Se for esse o caso, então não pode haver mais menção a frentes sossegadas." (Príncipe Rodolfo da Baviera)[36]

Bibliografia

  • Cambrai 1917: The Myth of the First Great Tank Battle
  • Military Operations France and Belgium 1917 III : The Battle of Cambrai

Ligações externas

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A Segunda Batalha de El Alamein

A segunda Batalha de El Alamein marcou o início da derrota das forças do Eixo na África do Norte e foi um dos marcos decisivos na Segunda Guerra Mundial. A vitória britânica em El Alamein levou o primeiro-ministro Sir Winston Churchill a afirmar que "este não é o fim, não é nem o começo do fim, mas é, talvez, o fim do começo". El Alamein foi uma vitória essencialmente do Reino Unido e das tropas da Commonwealth. Após a guerra, ele escreveu: "Antes de Alamein nunca tivemos uma vitória, depois de Alamein, nunca tivemos uma derrota".[37][38]

Estratégia britânica e alemã

Até o final de 1942, a iniciativa estratégica na frente ocidental estava predominantemente nas mãos da Wehrmacht. A Grã-Bretanha estava confinada à persecução de uma estratégia passiva, combatendo os alemães e italianos onde eles atacassem. Depois de El Alamein tudo mudaria.

A Grã-Bretanha era decididamente um poder imperial. As ilhas britânicas em si não contavam com os recursos naturais necessários para o sustento de uma indústria moderna. Assim, o povo britânico dependia das linhas vitais de comunicação com a América, África e Ásia. A estratégia britânica no Mar Mediterrâneo, pautada pela inferioridade (pelo menos em tese) de suas forças, era conter os italianos e garantir a existência dessas linhas de comunicação, cujos pontos críticos no Mediterrâneo eram Suez e Gibraltar.

A perda do Canal de Suez traria para os ingleses prejuízos incalculáveis, além de possibilitar aos alemães o acesso ao petróleo do Oriente Médio (que havia sido descoberto nos anos 20 e 30), bem como possivelmente a abertura de uma outra frente de ataque à União Soviética, pelo sul, além de facilitar as pressões para a possível entrada da Turquia na guerra. Dessa forma, o combate em El Alamein tornou-se prioritário.

A Marinha Real Britânica, mesmo empenhada na luta de morte no Atlântico e com a defesa de territórios no Pacífico, havia tido até o momento ponderável sucesso contra a Regia Marina Italiana. Em terra, após um início promissor nas hostilidades contra os italianos em 1940, os britânicos, amargavam severas derrotas, como a perda da Grécia, de Creta e da Tripolitânia, e pouco tinham o que mostrar pelo fantástico arsenal que acumulavam, muito dele proveniente aliados americanos. A própria lenda em torno da Raposa do Deserto era um alvo de guerra. Os ingleses o haviam elogiado e tentado assassiná-lo, mas nunca haviam conseguido realmente vencer Rommel no deserto. "Bater Rommel, o que mais importa?", comentara o primeiro-ministro. Churchill não poupou esforços para garantir o sucesso em El Alamein. Substituiu o General Auchinleck pelo General Bernard Law Montgomery como Comandante-em-Chefe do Oriente Médio, com o comando do 8º Exército, e supriu suas formações com um arsenal inédito na África do Norte, que incluía 300 modernos tanques Sherman americanos, que, com seu canhão de 75 mm, era mais do que páreo para os melhores tanques alemães no campo.

Para o alto comando alemão, as operações no norte da África sempre tiveram importância secundária, e nunca tiveram por objetivo a conquista do Egito, pelo menos até Rommel mostrar-lhes que isso não era impossível. O comprometimento alemão naquele continente se deu para conter os ingleses e auxiliar os italianos, que após a espetacular derrota em Beda Fomm viam-se no risco de ter que retirar-se do teatro da África Setentrional, o que bem poderia ter acontecido não fosse a decisão de desviar os blindados de O´Connor para a Grécia. Assim, os alemães pensaram em enviar uma pequena força de Panzers (Operação Sonnenblume) e um contingente aéreo para ajudar seus aliados meridionais a estancar o avanço inglês. Jamais imaginaram que pudessem chegar tão longe.

De fato, Rommel excedeu completamente suas ordens, e muitas vezes as descumpriu, percebendo de imediato as possibilidades que tinha uma força de blindados operando no vasto "mar" que era o deserto africano. Ele percebeu que os britânicos não eram tão fortes assim, e que as suas forças foram magnificadas pela dimensão das derrotas infligidas aos italianos. Mesmo com uma força destinada apenas a travar batalhas defensivas, de escopo limitado, o talentoso comandante conseguiu infligir derrota após derrota ao 8º Exército e aos seus adversários ingleses, os generais Archibald Wavell, Claude Auchinleck e Neil Ritchie.

Em meados de 1942, quando o OKW percebeu que era possível uma vitória total na África, e que isso poderia render enormes dividendos, já era talvez tarde demais. Naquela época a Alemanha encontrava-se no limite da utilização dos seus recursos e no ápice da sua grandeza territorial, guardando uma imensa frente que ia desde o Círculo Polar Ártico, na Noruega, aos desertos da África do Norte, no sul, e desde Stalingrado, no Volga, à costa Atlântica francesa. Com quase todas as forças engajadas na frente oriental, não seria sem sacrifícios que pudessem reforçar o desgastado Panzerarmee Afrika.

A situação de suprimentos para a força africana piorava a cada dia. Graças à atuação dedicada de tripulações da Marinha Real e da RAF, e, principalmente, à quebra das cifras navais alemãs (Projeto Ultra) os comboios que saíam da Itália eram afundados com regularidade crescente. Às vésperas da batalha em El-Alamein, o afundamento de dois petroleiros, um dos quais trazendo combustível de aviação, limitou ainda mais a mobilidade do exército alemão.

Assim, a OKW e o Commando Supremo tinham que decidir entre tentar melhorar a situação de abastecimento com a ocupação da ilha de Malta, ou ir adiante e tentar a conquista do Egito. O Marechal Albert Kesselring, Comandante-em-Chefe Sul das forças alemãs, preferia a primeira alternativa, mas Rommel persuadiu os seus superiores de que podia vencer o 8º Exército Britânico mais uma vez. Dessa forma, fiaram-se mais uma vez no talento e sorte da "Raposa do Deserto", deixando-o combater com o que dispunha.

Já os italianos tinham as suas próprias dificuldades. O Alto Comando não sabia decidir se vergonha maior eram as derrotas fragorosas para forças inferiores britânicas ou o fato de que forças alemãs ainda menores realizavam o que para eles era o impensável. Desse modo, nunca viam com bons olhos o envio de mais tropas alemãs para a África e até as relações de Rommel com os seus comandantes, que nominalmente eram seus superiores, nunca foram as melhores.

Politicamente era desgastante para o Duce perder para Hitler os louros da campanha africana, empresa de enormes dimensões a que lançou o seu país, principalmente após o vexame na Grécia, onde Hitler igualmente roubou a cena. Ele tinha grandes planos de fundar um novo Império Romano, herdeiro do antigo, seguindo os passos dos antepassados latinos pela Grécia e norte da África. Porém passados poucos meses de guerra, o exército italiano, considerado nos anos trinta como uma força moderna e temível, revelou-se totalmente inepto para seus objetivos, e depois da fracassada aventura grega, Mussolini queria e precisava de uma vitória italiana, pois já estava bastante enfraquecido nas suas relações com a Alemanha e diante do mundo. Porém, simplesmente não dispunha dos meios para isso, e via-se na posição, péssima para ele, de depender dos alemães mais uma vez. Assim, a estratégia italiana era permeada pela dupla necessidade de os ingleses serem derrotados, e de não parecer que a vitória foi alemã.

Mas esses interesses não foram alcançados, pois o general Rommel, no auge de sua esperteza conseguiu ofuscar o exército italiano e fazer com que a mísera força de 100 mil homens dados a ele por Hitler triunfasse algumas vezes, o que o deixou conhecido como a Raposa do Deserto.

Ao observar canhões anti-aéreos do exercito nazista, Rommel percebeu que com algumas modificações teria em suas mãos uma nova arma, e ordenou que os canhões fossem reclinados, o que modificou a trajetoria do tiro, transformando-os em uma potente alternativa para combater divisões blindadas com alta precisão e com um alto poder de fogo de 88mm.

Rommel costumava atacar com sua divisão de Panzers e depois logo bater em retirada - para fazer o inimigo perseguí-lo - o que resultaria em um temível encontro com esses canhões modificados. Com essa tática, em junho de 1942, Rommel obrigou o exército britânico a recuar até a cidade de El Alamein, obrigando Winston Churchill a por o 8º exército em novo comando.

A campanha no Norte da África

O general Bernard L. Montgomery, comandante das forças do Império Britânico no norte da África.

Em Novembro de 1942, a campanha na África do norte se aproximava do seu terceiro ano. Após meses de lutas dramáticas para ambos os lados, na qual alternavam em sortes e reveses, a frente se estabilizara perto da fronteira egípcia, numa localidade conhecida como El Alamein. Já a situação estratégica pendia fortemente para o lado dos Aliados. O Eixo se mostrava incapaz de manter abastecido o seu exército na África, considerado pelos alemães, desde o começo, como uma força expedicionária em um teatro secundário. Inúteis foram os apelos do comandante do Afrika Korps, Marechal Erwin Rommel, no sentido de que o abastecimento tinha que ser garantido por forças aéreas e navais, ou o teatro no norte da África teria se ser abandonado. Alheios à real situação, tanto o OKW alemão quanto o Comando Supremo Italiano fizeram vista grossa às necessidades das tropas em África, eclipsadas que estavam pela luta de morte travada pelos alemães (e italianos)em Stalingrado e em toda a União Soviética.

Após a impressionante vitória alemã na frente de Gazala, a que se deve, acima de tudo, ao brilhantismo de Rommel e à tenacidade e experiência dos veteranos do Afrika Korps, as forças do Eixo foram no encalço do 8º Exército Britânico (no "Galope de Gazala"), através da fronteira egípcia até a localidade de El Alamein, onde o mar, ao norte, e a depressão de Qattara, ao sul, formavam barreiras naturais intransponíveis e estreitavam a frente de batalha.

Ali, a 150 quilómetros do Cairo, com os britânicos queimando seus papéis secretos em Alexandria, onde Mussolini pensava fazer uma entrada triunfal montado num cavalo branco, as forças alemãs, beirando o esgotamento humano e material, foram obrigadas a parar. Em 30 de Agosto, as forças do Eixo ainda atacaram em Alam Halfa, buscando quebrar a linha britânica antes que as defesas pudessem ser totalmente preparadas. Os britânicos, cientes dos planos alemãs através da seção "Ultra" do seu serviço de inteligência, que podia ler todas as mensagens codificadas do inimigo, estavam à espera, e somente uma tempestade de areia salvou os blindados alemães do aniquilamento. Típica sorte de Rommel. Os alemães foram decididamente detidos em Alam Halfa e daí em diante passaram definitivamente para a defensiva. O comando alemão rapidamente percebeu que, com as linhas de suprimentos estendidas por mais de 1500 quilómetros desde Tripoli, o exército perdera grande parte de sua mobilidade. O desorganizado serviço de abastecimento italiano, do qual dependia, não tinha reformado o porto de Tobruk nem alterado as rotas dos seus navios até o momento, para desespero de Rommel. Mesmo uma retirada seria uma empresa de enorme dificuldade, dada a falta de combustível. Com efeito, os alemães apenas chegaram tão longe porque capturaram imensas quantidades de suprimentos britânicos em Tobruk - uma derrota bastante oportuna para os ingleses. Assim, foi decidido defender a frente em El Alamein, onde a natureza protegia os flancos das divisões Panzer e restringia qualquer ação dos britânicos, para desgastá-los e ganhar tempo até que forças adequadas pudessem ser trazidas para se tentar um contra-ataque.

Os exércitos

Após a batalha de Alam Halfa Rommel estava com seus efetivos praticamente esgotados, podendo contar apenas com umas poucas dezenas de tanques alemães. Durante os meses que precederam a Segunda Batalha de El Alamein, contudo, um grande esforço foi feito para reconstituir a 'Panzerarmee Afrika', além das formações blindadas italianas. Além disso, os alemães minaram extensivamente o terreno à frente dos seus exércitos. Centenas de milhares de minas de todos os tipos, inclusive explosivos britânicos capturados foram enterradas, criando o que se tornou conhecido como o "Jardim do Diabo".

Atrás do denso campo minado, os exércitos do Eixo podiam mobilizar 100.000 homens e quase 500 tanques. Contudo, a maioria desses tanques eram de fabricação Italiana, incluindo os notórios M.13, os quais tinham desempenho sofrível em combate, além de terem uma curiosa tendência a incendiar-se espontâneamente. Os italianos, apesar da sua bravura individual, eram bastante prejudicados pela qualidade do seu equipamento e pelo calibre inferior dos oficiais que os comandavam. Desse modo, o comando alemão, inclusive Rommel, que combatera os italianos no Isonzo em 1918, via a necessidade de usar as tropas italianas entremeadas nas formações alemãs, por absoluta falta de confiança no desempenho daquelas.

Armamentos

Blindados alemães atravessam o deserto em direção à El Alamein.

Do lado alemão, os Panzer III, que compunham o grosso das forças blindadas alemãs, já estavam ficando obsoletos. Com seu canhão de 37 mm, apenas a curta distância podiam penetrar a couraça dos tanques aliados mais novos, como os Shermans. Havia 19 PzKW III com armamento modificado e canhão de 50 mm, mas eram muito poucos. Os Panzer IV, dos quais também não havia muitos, também eram pouco páreo para os mais modernos tanques ingleses e americanos. Para compensar, os alemães tinham o excelente canhão antiaéreo de 88 mm, fabricado pela Krupp, que utilizavam como arma antitanque, com resultados devastadores. Como foram feitos para lançar projéteis a grandes altitudes, os 88 tinham uma velocidade de projétil altíssima e uma cadência de tiro infernal. Em posições entrincheiradas no deserto, os 88 lançavam um fogo mortal contra o inimigo mesmo a mil ou até dois mil metros de distância, levantando finos rastros de poeira, e tornando-se parte essencial da tática antitanque alemã.

Os britânicos tinham melhorado substancialmente o seu material bélico desde o começo da guerra, contando também com imensas quantidades de material americano. Para a batalha de El-Alamein, foram batizados dois novos tanques - o Crusader Mk III inglês e o Sherman americano. O primeiro era uma versão melhorada das versões precedentes de Crusaders, equipado com o eficiente canhão antitanque britânico de seis libras. O segundo foi o lendário tanque americano, do qual mais de 50.000 foram produzidos, mais do que qualquer outro modelo. Foi concebido como um tanque médio, feito para equiparar-se aos Panzer IV e ao T-34 soviético, mas numa função de apoio à infantaria. O Sherman tinha um desenho simples, e era fácil de construir, manter e operar. O seu armamento principal consistia em um canhão de 75 mm, que, quando utilizado com granadas de alto poder explosivo, era muito destrutivo. Esse poder de fogo superava quase tudo que os alemães tinham em El-Alamein. Contudo, os Shermans e Crusaders, como seus predecessores, continuavam vulneráveis aos famigerados 88's.

A Luftwaffe e a Regia Aeronautica também contavam com efetivos numericamente inferiores, além de sofrerem com a crónica escassez de combustível, e já não eram páreo para a RAF, que voava quase impune, castigando as tropas e as linhas de abastecimento do Eixo.

Em geral, apenas um terço das necessidades dos exércitos do eixo em termos de suprimentos era atendida. A grande maioria terminava no fundo do mar mediterrâneo ou destruída na longa estrada costeira que ia de Trípoli, na Líbia, até o Egito.

Rommel, cujo gênio e energia constituíam inegavelmente um dos maiores ativos das forças do Eixo, encontrava-se na Alemanha, recuperando-se de uma infecção no ouvido e de moléstias contraídas em decorrência das condições extremas às quais as tropas eram expostas na África. Em seu lugar ocupava o comando o General Stumme, que tinha boa relação com os italianos e a confiança geral da tropa.

Já o 8º Exército Britânico se fortificava a cada dia. As tropas treinavam constantemente, e uma torrente de equipamento continuava a desembarcar. Às vésperas do combate, o 8º Exército, que também havia sofrido graves baixas em Gazala, sobretudo em equipamento pesado, podia colocar em combate 1.350 tanques, muitos dos quais modelos novíssimos, além de 240.000 homens e quase 900 canhões.

A R.A.F. já então havia conquistado a supremacia aérea quase incontestada sobre os céus da África do Norte e podia golpear as forças do Eixo, limitada apenas pelo tempo e pela autonomia de suas aeronaves.

Os britânicos contavam ainda com uma arma secreta. Graças à perserverança e ao brilhantismo da sua equipa de decodificadores em Bletchley Park, os ingleses haviam conseguido quebrar o código alemão, produzido pelas máquinas codificadoras Enigma. Assim, o comando Britânico sabia de antemão os planos dos alemães, as disposições das tropas, as dificuldades com suprimentos, e as rotas que utilizavam para o seu transporte; informações que se mostraram extremamente valiosas.

A batalha

Posição dos dois exércitos no momento do início da batalha.
Tanques M4 Sherman lutando no deserto.

O plano de Montgomery era bem elaborado, simples e direto, compensando com notável realismo o que carecia em imaginação. Consistia essencialmente em um ataque noturno ao norte da linha alemã, precedido por uma devastadora barragem de artilharia à moda da Primeira Guerra Mundial e por equipas de sapadores abrindo caminhos no campo minado.

Como engodo, lancou a 'Operação Bertram', visando à deixar parecer que o ataque principal cairia ao sul. Como o próprio Rommel havia feito, tanques falsos foram colocados, assim como tráfego de rádio falso e até uma tubulação falsa foi deitada, enquanto que os exércitos no norte receberam a ordem de "desaparecer". A ruse de guerre funcionou, já que os alemães realmente se convenceram de que o ataque principal seria desfechado ao sul.

O ataque mesmo seria desfechado em três fases - a de infiltração, a de desmoronamento e finalmente a de rompimento das linhas alemãs.

"Monty" inicialmente marcou a data para o início dos ataques na lua cheia de setembro, porém adiou tal data para dar às tropas mais tempo para se prepararem e mais tempo para acumular material. Montgomery entendia que estrategicamente a situação lhe era favorável, e que o tempo agia em seu favor.

O ataque propriamente se iniciou com a 'Operação Lightfoot' (Pés-Leves), em 23 de outubro, que tinha por objetivo abrir dois corredores nos campos minados, (denominados "January" e "February") utilizando infantaria, que, conforme se esperava, não engatilharia os mecanismos de detonação das minas anticarros.

A 'Operação Lightfoot' foi coordenada com a maior barragem de artilharia realizada pelo exército britânico desde a batalha do Somme, na I Guerra Mundial. Ao todo, 882 canhões foram disparados e cerca de 125 toneladas de explosivos choveram nas posições alemãs e italianas, com uma média de 600 disparos cada um e causaram um impacto devastador; as explosões podiam ser ouvidas a dezenas de quilômetros de distância, e reputadamente fazendo sangrar os ouvidos dos artilheiros britânicos.

Às 10 horas da noite o 30º Corpo de Exército avançou no norte, rumo à 21ª Divisão Panzer que guarnecia aquele setor da linha. Os sapadores haviam aberto corredores nos campos minados, mas a imensa quantidade de poeira e as dificuldades normais de navegação no deserto fizeram com que grande quantidade de tanques perdessem o rumo e criaram imensos congestionamentos.

Do lado alemão, a violência da barragem de artilharia foi duramente sentida. Muitas linhas de comunicação foram cortadas. Para piorar, o General Stumme morreu, fulminado por um infarto, nas primeiras horas do ataque. No momento decisivo, a Panzerarmee Afrika ficou acéfala. O chefe de operações do General Stumme, o Major von Mellenthin, não se sentia à altura da responsabilidade e não havia comandante graduado para substituir o General Stumme. Interinamente o comando foi aceito pelo talentoso General von Thoma. Kesselring ressalta que a ausência de um comandante na frente de batalha nas primeiras horas causou enorme prejuízo para a defesa da linha.

Com o 30º Corpo britânico ainda penando para abrir caminho entre as minas, a 21ª Panzer tentou um ataque contra a 51ª Divisão Highlander, mas esse teve efeitos muito limitados.

Adolf Hitler, sendo informado que afinal o ataque britânico na África tinha sido desfechado, telegrafou a Rommel, perguntando se este sentia-se disposto para retornar ao comando do Afrika Korps. Rommel partiu imediatamente para a África, assumindo o lugar de Von Thoma, que havia substituído o General Stumme.

No dia 26, Rommel chegou, e a volta do 'Feldmarschall' também deu aos seus homens algum alento na situação precária em que se encontravam. Os blindados ingleses investiram com renovado vigor contra o setor norte das linhas do eixo. Porém, as defesas alemãs se revelaram formidáveis, e nenhuma penetração foi conseguida. Agora, os blindados do 8º Exército avançavam numa frente estreita, flanqueados em ambos os lados por mortífero fogo antitanque. Rommel percebera que o peso principal do ataque caía mesmo no norte, e arriscou-se a deslocar para aquele setor a 21ª Divisão Panzer e a divisão blindada italiana Ariete, mesmo sabendo que estas não dispunham de gasolina suficiente para voltar caso fosse necessário. Lançou também um ataque à "Kidney Ridge", no centro da linha, mas este se mostrou inoportuno, com vários tanques varridos pelo fogo cuspido dos Spitfires, Hurricanes e demais aviões da R.A.F.

Montgomery, vendo o seu avanço perder ímpeto diante dos campos minados e do fogo dos magníficos canhões Krupp antiaéreos de 88 mm que as tropas na África aprenderam a usar contra tanques, enviou como reforço a famosa 7ª Divisão Blindada Britânica, os " Ratos do Deserto", jovens veteranos de incontáveis combates com o Afrika Korps.

Com ambos os lados concentrando os seus blindados numa frente estreita ao norte da linha, os britânicos superavam as forças do Eixo em 11-1 em número de tanques. Era apenas uma questão de tempo até que as linhas alemãs e italianas fossem rompidas.

Operação Supercharge

Bernard Montgomery agora queria isolar as tropas alemãs que defendiam a costa. Na Operação Supercharge, enviou a 9ª Divisão Australiana para o norte, com este objetivo. Rommel, agora limitado a uma estratégia passiva, "apagando incêndios" onde estes apareciam, e já sem qualquer esperança de retomar a iniciativa, arremessou para a costa a 90ª Divisão Leve África, a sua última reserva.

Em vista disso, Montgomery novamente muda mais uma vez o centro de gravidade do seu ataque um pouco mais ao sul da costa, na linha original ao norte. Esperava valer-se da maior mobilidade de que dispunham as suas forças, e sabia que os alemães não tinham nada com que reforçar as suas castigadas linhas.

Novo ataque

Após dois dias de reagrupamento, Monty se lança novamente ao ataque, dessa vez liderado pela a 1ª Divisão Blindada, em 1º de novembro. Contudo, de novo a carga britânica é detida pelas defesas de Rommel, e os tanques britânicos se vêem atacando frontalmente tais defesas, sendo flanqueados após qualquer penetração. As perdas sustentadas pela 1ª Divisão Blindada são enormes, quase dois terços dos seus tanques são destruídos em frente das posições da 15ª e 21ª Divisões Panzer. Mesmo assim, os ingleses mostram-se muito aguerridos, sustentando as suas posições para permitir que mais tanques sejam enviados à brecha. A guerra de atrito lhes convém, e a estratégia de "sangrar" o inimigo logo daria resultados. Contudo, o dia passa sem que qualquer rompimento da linha seja conseguido.

Percebendo que atacava a linha justamente no seu ponto mais forte, onde se concentrava o grosso das tropas alemãs, Monty mais uma vez flexibiliza o seu planejamento, e desfere um violento golpe mais ao sul, próximo ao centro da linha, nas posições defendidas pela Divisão Littorio blindada italiana. Estes não resistem ao ímpeto do ataque e batem em retirada, expondo o ala direita da 21ª Divisão Panzer e deixando Rommel com uma inferioridade em tanques agora da ordem de 20-1.

Rompimento das linhas do Eixo

Montgomery expusera a brecha, procurando de todo o modo romper a linha no dia 3 de novembro. Dois ataques vigorosos são detidos. Contudo, à noite, elementos da 51ª Divisão Highland e da 4ª Divisão Indiana irrompem as linhas do Eixo, no ponto de junção entre a Littorio e a 21ª Divisão Panzer. Ao mesmo tempo, em Tobruk, a Marinha Real afundava o petroleiro Proserpina, a última chance para Rommel de abastecer os seus sedentos veículos.

Até a morte

Então, no dia 3 de novembro, o marechal-de-campo, tão acostumado às vitórias, dando-se conta de que não havia mais sentido em prosseguir na luta, começa o processo de retirada do seu exército até uma outra linha em Daba, 90 quilômetros a oeste. Envia à Alemanha o Tenente Dr. Berndt, pedindo-lhe que esclarecesse a real situação ao Führer e obtivesse sua permissão para retirar-se da linha de El-Alamein.

No entanto, para a sua incredulidade e amargura, o Führer, intervindo pessoalmente pela primeira vez na campanha africana, se nega a admitir tal possibilidade, numa posição que se tornaria característica sua, e ordena Rommel a defender as linhas até a morte, com o torpe argumento que não seria a primeira vez na história da guerra que maiores batalhões cederiam ante à força de vontade. Esta foi a mensagem de Hitler:

Ao Marechal Rommel

É com a maior confiança no seu comando e na coragem das tropas germano-italianas sob o seu comando, que o povo alemão e eu seguimos a luta heróica no Egito. Na situação em que se encontra não pode pensar senão em manter-se, não ceder nem um metro de terreno e lançar todos os canhões e homens que possa para a batalha. Estão a ser enviados consideráveis reforços aéreos para o Comandante Chefe no sul. O Duce e o Comando Supremo Italiano desenvolvem também os maiores esforços para lhe enviar os meios para poder continuar a luta. O inimigo, apesar da sua superioridade, deve também encontrar-se com as forças esgotadas. Não seria a primeira vez na história que se dava o caso de uma vontade forte triunfar sobre os maiores batalhões. Quanto às suas tropas, não lhes pode mostrar outro caminho que não seja aquele que conduz à vitória ou à morte

Adolf Hitler

Rommel hesita. Conforme ele mesmo escreveu "Esta ordem pedia o impossível. Uma bomba mata o mais corajoso soldado. Apesar dos nossos francos comunicados sobre a situação, no Quartel-General do Führer ainda não se compreendia qual era a real situação na África. Em vez de armas, gasolina e aviões, mandavam-nos ordens. E ordens não serviam para nada. Ficamos absolutamente aturdidos, e, pela primeira vez na campanha africana, vi-me sem saber o que devia fazer".

Não pode condenar à morte tão futilmente aqueles homens com os quais lutou durante tanto tempo sob o sol do deserto, os mesmos que fizeram por ele os maiores sacrifícios possíveis, os que lhe deram as glórias das quais se cobria. Por outro lado, é um soldado, e ordens são ordens, até mesmo para ele. Neste dia 3, von Thoma chega ao quartel general do Afrikakorps para informar que a 21ª Divisão Panzer tem apenas 14 tanques, a 15ª dez, e a Littorio dezessete. Rommel mostrou-lhe a mensagem de Hitler e mandou-o ocupar o seu lugar na linha. Cento e cinquenta tanques britânicos foram à caça do que restava dos blindados de von Thoma. Este ficou com os seus homens até que o último tanque fosse destruído. Então, no seu carro de comando, acelerou sozinho rumo às linhas britânicas, onde subsequentemente foi capturado. Após a sua captura, von Thoma foi levado para conhecer Montgomery, e os dois discutiram a batalha durante um jantar. Segundo relatou o próprio general alemão "Ao invés de me perguntar por informações, ele disse que me descreveria o estado das nossas forças, seus suprimentos e dua disposição. Fiquei aturdido com a exatidão do seu conhecimento, particularmente em relação às nossas deficiências e às perdas de navios. Ele parecia saber tanto quanto eu mesmo". Um tributo ao talento dos decifradores britânicos, que fizeram do Ultra uma arma poderosíssima nesta guerra.

O Marechal Kesselring, detido em Creta por falhas mecânicas em sua aeronave, chega ao Norte da África em 4 de novembro, e segundo ele próprio, imediatamente chancela a retirada, recusando-se a cumprir a ordem de Hitler, que classificava como "loucura". A retirada era agora a única manobra que poderia salvar o exército alemão na África da extinção.

Retirada

Prisioneiros italianos e alemães após a batalha.

No dia 4 de novembro, a torrente britânica irrompeu de vez. Não havia nada mais que as forças despedaçadas do Eixo pudessem fazer. Rommel não podia mais ver a carnificina e ordenou a retirada, com ou sem a permissão do Führer. Para piorar o desgosto que sentia pelo alto comando, algumas horas depois vinha a permissão para o desengajamento das suas forças. Já então sabia que os americanos haviam desembarcado em massa na Tunísia, para onde se dirigia. Escrevendo tempos depois sobre a batalha de El-Alamein, Rommel lamenta amargamente não ter descumprido a ordem de Hitler 24 horas antes, quando poderia ter salvado muito mais de seus homens e equipamentos.

A situação agora era extremamente crítica para ele. Com forças inglesas agora por toda a parte ao seu redor, via-se no sério risco de ser totalmente cercado e aniquilado. Neste dia, Montgomery perdeu uma chance preciosa de destruir de vez o Afrikakorps. Ao invés disso, ordenou uma manobra de ambição limitada, mandando suas forças para ocuparem a costa em Gazala, apenas 16 km atrás das linhas de frente. Com isso, foi possível aos alemãs empreender uma retirada quase impensável, com a 90ª Divisão Leve África destacando-se na luta na retaguarda para garantir a evacuação do grosso das tropas.

Após a batalha

O que se seguiu só pode ser classificado como um dos maiores feitos militares de toda a guerra, constituindo um notável exemplo da disciplina dos homens do Afrika Korps. Rommel, quase sem combustível, vendo-se obrigado a todo momento abandonar veículos e rebocar muitos deles, sendo incessantemente fustigado pelo ar, e tendo todos os seus planos nas mãos de Montgomery, conseguiu levar os restos do 'Panzerarmee', razoavelmente intactos, por mais de 1000 quilômetros, passando por Matruh, Agheila, Tobruk, que haviam conquistado com tanto sangue, até Tripoli, onde havia começado a sua jornada africana, evitando ser cercado pelo deserto e aniquilado ou capturado.

O que encontrou lá encheu os seus homens de um sentimento agridoce. Chegara à África o 5º Exército Panzer, no comando do General Hans-Jürgen von Arnim. Essa formação contava com tropas descansadas e equipamentos novos, incluindo um batalhão dos magníficos tanques Tigre. Os veteranos do Afrikakorps pensavam com desolação que uma fração dessa força poderia tê-los levado ao Suez alguns meses antes, com os britânicos desequilibrados. Agora tudo o que poderiam fazer era agarrar-se ao solo africano por mais alguns meses.

O general Bernard Montgomery, pela sua atuação em El Alamein, foi elevado à nobreza, recebendo o título de Visconde Montgomery de Alamein. Continuaria a ser o principal comandante de forças terrestres britânicas (e aliadas) por toda a guerra. Ressalvadas as críticas que recaem sobre o seu comando, dele foi o mérito de ter batido a Afrikakorps. Talvez o veredito final possa ser sintetizado nas palavras de von Thoma, que, comentando sobre o comando do seu colega britânico disse "Eu acho que ele foi muito cauteloso, considerando a sua força imensamente superior, mas ele é o único Marechal de Campo desta guerra que venceu todas as suas batalhas".

Finalmente os britânicos, e Churchill, após todo o enorme esforço, após sustentarem sozinhos a luta contra o império nazista por mais de um ano, tiveram a sua vitória.

Talvez imperceptivelmente à época, El Alamein foi um marco na história do desenvolvimento do pensamento militar. Era o início da guerra total, o ponto culminante inevitável da doutrina introduzida pelo General Lee oitenta anos antes, na Guerra da Secessão.


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